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Colômbia não descarta mediação de Chávez

Os ministros das Relações Exteriores da Colômbia, Fernando Araújo, e do Brasil, Celso Amorim
Amorim (D) disse a Araújo (E) que o Brasil está disposto a oferecer ajuda logística em negociação
O ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Fernando Araújo, disse que o presidente Álvaro Uribe está disposto a aceitar a mediação do presidente venezuelano Hugo Chávez na troca de reféns desde que sejam respeitadas duas condições: que não seja criada uma zona desmilitarizada sob controle das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e que os membros da organização que estão presos e fossem libertados pelo governo não voltem a pegar em armas.

“Atendidas estas duas condições, o presidente (Álvaro Uribe) está disposto a estudar qualquer tipo de alternativa para conseguir a liberação dos seqüestrados na Colômbia”, disse o chanceler, em entrevista coletiva no Itamaraty, ao ser questionado sobre a mediação de Chávez na troca de reféns seqüestrados e integrantes da Farc presos pelo governo colombiano.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o Brasil está disposto a oferecer ajuda logística em uma possível negociação entre o governo e as Farc. Mas, segundo Amorim, o país não está disposto a intermediar uma solução entre as duas partes. “Podemos oferecer, por exemplo, nosso território para as negociações”, disse Amorim.

A recusa em aceitar uma zona desmilitarizada, segundo Araújo, vem da percepção do governo do presidente Uribe de que este tipo de recurso não teve bom resultado quando foi utilizado, em cinco municípios, entre 1998 e 2002, durante o governo do ex-presidente Andrés Pastrana.

“Aumentaram os seqüestros, aumentou a violência, aumentou o tráfico de drogas”, disse Araújo.

O próprio chanceler foi seqüestrado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 2000. Ele ficou seis anos no cativeiro e escapou porque conseguiu fugir no fim do ano passado.

“A zona desmilitarizada não facilitou a minha liberação", disse ele. “Ao mesmo tempo, só neste ano, 40 pessoas foram seqüestradas, e os guerrilheiros negociam o resgate diretamente com as famílias”, afirmou o chanceler.

Segundo Araújo, isso é um sinal de que a zona desmilitarizada não é condição para conseguir a liberação dos reféns das Farc. “A zona desmilitarizada não tem nenhum fundamento e também não tem nenhum fundamento moral”, afirmou.

O compromisso dos presos em não voltar a participar das Farc é a segunda condição imposta pelo presidente Uribe para negociar com o grupo, segundo o chanceler.

O presidente Chávez se reuniu nesta segunda-feira em Caracas com um grupo de parentes de reféns em poder das Farc, que estão sendo organizados pela senadora de oposição colombiana Piedad Córdoba.

Ele disse que iria entrar em contato com as Farc para tentar estabelecer um contato. Chávez também deve se encontrar, até o fim do mês, com o presidente Uribe.

O chanceler lembrou que várias outras pessoas já tentaram mediar a troca de reféns com prisioneiros, entre eles representantes da Igreja Católica e dos governos da Suíça, da Espanha e da França.

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