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Atualizado às: 02 de agosto, 2007 - 18h41 GMT (15h41 Brasília)
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Análise: Rússia larga na frente na 'corrida pelo ouro' do Ártico

Região Ártica
Mapa mostra a parte do Ártico que a Rússia está reivindicando
Os russos estão liderando uma nova "corrida pelo ouro" no norte do planeta, com corajosas tentativas de tomar controle de petróleo, gás, minerais em grandes partes do Oceano Ártico até o Pólo Norte.

O mais famoso explorador da Rússia, Artur Chilingarov, liderou a expedição para plantar a bandeira russa no leito do oceano, imediatamente abaixo do pólo.

"O Ártico é russo", disse Chilingarov. "Nós precisamos provar que o Pólo Norte é uma extensão da plataforma do litoral russo."

A Rússia está alegando que uma cadeia de montanhas submarina conhecida como Cordilheira de Lomonosov é uma extensão do território russo.

Isso, segundo os russos, justifica a sua reivindicação sobre a área triangular acima do pólo, o que a garantiria direitos segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, assinada em 1982.

Sob o artigo 76 da convenção, um Estado pode reivindicar até 200 milhas náuticas como zona exclusiva e, além disso, até 150 milhas náuticas de direito ao leito do mar. A base para a medição destas distâncias depende de onde a plataforma do continente termina.

A Rússia lançou um pedido formal em 2001, mas a Comissão de Limites da Plataforma Continental das Nações Unidas decidiu que a solicitação teria de ser reenviada. A colocação da bandeira pode ser vista como um gesto simbólico da Rússia.

Ao mesmo tempo, outros Estados estão agindo para proteger os seus interesses no Ártico. O Canadá está planejando construir oito navios de patrulha, e o Congresso americano considera a proposta de construir dois navios polares novos.

A corrida pelo Ártico se acirrou devido ao derretimento de partes da camada polar de gelo, que permitirá explorações mais fáceis de petróleo e gás. Um novo sentimento de nacionalismo também está crescendo na Rússia.

Artur Chilingarov
Artur Chilingarov é o mais famoso explorador russo

O derretimento do gelo foi previsto por um grupo de pesquisadores internacionais. O relatório deles sobre impacto no clima do Ártico indicava, em 2004, que a camada polar poderia derreter nos verões antes do final deste século, devido ao aquecimento global.

Se o gelo derreter, é possível que novas rotas de navegação e exploração de recursos naturais se abram.

Um mapeamento geológico dos Estados Unidos estima que um quarto das fontes de energia do mundo está em áreas do Ártico.

No momento, nenhuma plataforma dos países se estende até o Pólo Norte. A área é administrada pela Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, com sede na Jamaica.

Além da reivindicação russa, há muitas outras disputas.

Os Estados Unidos e o Canadá disputam a passagem noroeste. A Noruega e a Rússia têm um contencioso sobre o Mar de Barents. O Canadá e a Dinamarca competem por uma pequena ilha perto da Groenlândia. O Parlamento russo se nega a ratificar um acordo com os Estados Unidos sobre o Mar de Bering. A Dinamarca também tem uma reivindicação sobre o Pólo Norte.

Soluções para o Pólo Norte

Os cinco países envolvidos na disputam estão considerando duas possibilidades de se dividir a região.

O "método da linha media", apoiado por Canadá e Dinamarca, dividiria as águas do Ártico entre os países de acordo com a extensão do litoral mais próximo da região. Isso daria o Pólo à Dinamarca, mas o Canadá teria muitos ganhos também.

O "método do setor" partiria do Pólo Norte como central e traçaria linhas longitudinais. Isso causaria perdas ao Canadá e ganhos à Noruega e à Rússia.

Um problema é que os Estados Unidos não ratificaram a convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, principalmente porque os senadores não quiseram aceitar restrições internacionais às ações americanas.

No entanto, em maio de 2007, o senador republicano Richard Lugar defendeu a ratificação, devido às ações russas, argumentando que a voz americana precisa ser ouvida nas mesas de negociação.

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