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Gelo no Ártico pode sumir em 35 anos, dizem cientistas | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Oceano Ártico pode estar próximo de estar com o seu ciclo de congelamento com os dias contados em virtude do aquecimento global, afirmaram cientistas americanos. Os últimos dados apresentados no Encontro de Outono da União Geofísica Americana sugerem que o gelo não está mais apresentando uma recuperação consistente depois do derretimento do verão e que o Oceano Ártico pode estar completamente livre de gelo em questão de 35 anos. No mês passado, a área de mar congelada era cerca de dois milhões de km menor do que sua média histórica. “É uma área equivalente ao Estado do Alaska”, disse o especialista Mark Serreze. “O gelo não está se recuperando mais no outono como antes. As placas de gelo podem estar começando a ficar pré-condicionadas, o que poderia levar a perdas muito rápidas em um futuro próximo”, disse Serreze, que é pesquisador da Universidade do Colorado. Recordes O nível de mar congelado chegou à sua marca mais baixa neste ano no último dia 14 de setembro, fazendo de 2006 o quarto ano de maior derretimento polar em 29 anos de acompanhamento por satélite, passando perto do recorde absoluto, que é de 2005. Mas a preocupação de Serreze foi sublinhada por novos modelos calculados por computadores, que concluem que todo o gelo no verão ártico pode ter desaparecido até 2040. O novo estudo é conduzido por uma equipe de cientistas do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica (NCAR, sigla em inglês) e das universidades McGill e de Washington. Os cientistas descobriram que o sistema glacial pode estar sendo enfraquecido pelo aquecimento global de uma maneira tal que logo colaborará para seu próprio declínio. “Quando o gelo recua, o oceano transporta mais calor para o Ártico e a água passa a absorver mais luz do sol, acelerando a taxa de aquecimento e levando à perda de mais gelo”, explicou a cientista Marika Holland. “Isso teria conseqüências dramáticas para toda a região do Ártico”, disse. Eventualmente, o sistema poderia começar a se desintegrar não por uma crise profunda, mas simplesmente por causa de um ano com o inverno mais quente do que o normal. Um recuo muito rápido do gelo se seguiria. Mais cedo ou mais tarde Em um dos modelos criados pelo computador, o gelo de setembro ‘encolheu’ cerca de 5,9 milhões de km para 1,9 milhões de km em um período de somente dez anos. Por volta de 2040, somente uma pequena quantidade de gelo perene permaneceria nas costas da Groenlândia e do Canadá, com o resto da bacia do Ártico sem gelo no mês de setembro. “Não achamos que este sistema tenha existido por milhares de anos. Se trata de uma profunda mudança no sistema climático do Ártico”, disse Holland à BBC. Serreze, que não trabalha com modelos, mas com análise de dados, acha que o início desse processo pode estar muito próximo. “Creio que esse processo possa ocorrer a partir de 2030, mas poderia ocorrer mais cedo ou mais tarde”, afirmou. “Tudo depende muito dos aspectos de variabilidade natural do sistema. Temos de nos lembrar que dentro do ‘efeito estufa’, essa variabilidade tem e continuará a ter um papel”, afirmou Serreze. Mesmo sem a aceleração mencionada pelos cientistas, o derretimento da calota Ártica poderia acontecer até 2060, caso a taxa de diminuição da área congelada se mantenha como a atual (que é de 8,59% por década). | NOTÍCIAS RELACIONADAS Ártico perdeu área de gelo de mais de 700 mil km²14 setembro, 2006 | BBC Report Estudo mostra derretimento de gelo na Antártica03 março, 2006 | BBC Report Geleiras da Groenlândia derretem mais rápido que o previsto, diz estudo16 fevereiro, 2006 | BBC Report Área do tamanho do Pará derrete na Sibéria11 agosto, 2005 | BBC Report Megacolisão de icebergs muda mapa da Antártica19 abril, 2005 | BBC Report Gelo do Himalaia retrai 15 metros por ano, diz WWF14 de março, 2005 | Ciência & Saúde Ação humana aumenta água doce no Ártico, dizem cientistas21 janeiro, 2005 | BBC Report Aquecimento global acelera deslocamento de geleiras22 de setembro, 2004 | Ciência & Saúde | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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