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Aquecimento global acelera deslocamento de geleiras | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O derretimento de uma calota de gelo antártica, há dois anos, acelerou o deslocamento de geleiras em direção ao Mar de Weddell, de acordo com estudos publicados na revista científica Geophysical Research Letters. A calota, chamada Larsen B, provavelmente impedia a passagem das geleiras antes de seu colapso em 2002, mas agora os blocos de gelo estão livres para se espalhar sem obstrução. Pesquisadores americanos dizem que a descoberta, que foi resultado das análises de dados de satélites, prova que as mudanças climáticas têm provocado sérias mudanças na Artártica. Acredita-se que o gelo extra provoca um aumento nos níveis das águas dos oceanos, mas não há conclusões sobre até que ponto um fenômeno influencia o outro. Os autores dos novos estudos afirmam que, em outros pontos da Antártica, a movimentação de geleiras muito maiores também é impedida por calotas de gelo. Por isso, de acordo com os pesquisadores, o aumento da temperatura global pode causar o deslocamento de quantidades de gelo ainda maiores. A Península Antártica é uma das regiões da Terra que mais rápido se aqueceu nas últimas décadas – a temperatura média aumentou 2,5 graus nos últimos 50 anos. Velocidade rastreada Os cientistas utilizaram uma grande variedade de dados para rastrear a velocidade das geleiras antes e depois do colapso da Larsen B. Em um dos estudo, Ted Scambos, do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo, em Boulder, nos Estados Unidos, analisou cinco imagens obtidas pelo satélite Landsat 7 entre janeiro de 2000 e fevereiro de 2003. A análise indicou que quatro geleiras que circulam na área onde a calota estava localizada aumentaram sua velocidade entre duas e seis vezes no período de tempo pesquisado. "Se ninguém esperava descobrir se a Antárctica iria responder rapidamente à mudança climática no planeta, acho que a resposta é sim", disse Scambos. O segundo estudo, realizado por Eric Rignot, da agência espacial Laboratório de Propulsão a Jato, em Pasadena, nos Estados Unidos, apontou um aumento de oito vezes na velocidade de três geleiras, chamadas de Hektoria, Green e Evans, entre 2000 e 2003. Duas outras, Jorum e Crane, moveram-se duas vezes mais rapidamente no começo de 2003 em relação a 2000 e quase três vezes mais rapidamente no fim de 2003. "Esses dois estudos ilustram claramente, pela primeira vez, a relação entre o colapso de calotas polares causado pelo aquecimento climático e a movimentação exagerada de geleiras", disse Rignot. |
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