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Argentinos criticam zonas francas aprovadas no Brasil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A indústria argentina criticou nesta terça-feira a lei sancionada pelo governo brasileiro, que cria 17 novas Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs). As novas ZPEs brasileiras prometem gerar isenção ou suspensão de tributos para os que produzirem, nestas regiões, para exportação. "Infelizmente, em vez de avançarmos, retrocedemos", disse o economista Raúl Ochoa, ex-sub-secretário de Comércio Exterior da Argentina e consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). "Essas ZPEs só contribuem para deixarmos cada vez mais para trás a idéia de o bloco ser uma união aduaneira." Para Ochoa, as ZPEs representam um "atraso" nas discussões internacionais sobre como beneficiar as áreas que precisam de ajuda para seu maior desenvolvimento. "Existem outras formas de socorrer estas regiões, como incentivo à mão de obra", completou. "Essa medida vai gerar uma concorrência injusta. Todas as grandes empresas vão querer se instalar na região destas zonas francas", reclamou Raul Zylbersztein, presidente da Câmara da Indústria de couro e afins. Mercado interno As críticas argentinas surgiram mesmo após o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 19 pontos da nova legislação. A lei ainda será regulamentada por uma Medida Provisória, que deve ser discutida no Congresso em agosto. A medida brasileira deve permitir que 20% da produção nestas zonas francas sejam destinadas ao mercado interno. Os argentinos temem que essa produção tenha acesso direto ao Mercosul. "Se nada mudar, esses 20% vão prejudicar primeiro a indústria brasileira, já que este percentual vai gerar uma concorrência desleal com os que pagam totalmente os impostos, sem preferência alguma", disse o economista Dante Sica, da consultoria Abeceb.com. "E vai ser preciso criar impostos para que estes produtos não saiam do Brasil e circulem livremente pelos outros países do Mercosul, provocando danos às indústrias do setor na Argentina, por exemplo", acrescentou. O presidente da Câmara de Brinquedos da Argentina, Norberto García, disse que sua esperança é que seus pares no Brasil atuem como "segurança" do mercado brasileiro e assim também estarão "protegendo" o setor argentino da possível entrada de mercadorias com componentes chineses, principalmente. Permissão Ochoa e Sica lembram que o Mercosul havia permitido o funcionamento das Zonas Francas de Manaus, no Brasil, e Terra do Fogo, na Argentina, apenas até 2013. Mas novas negociações deverão permitir que as zonas francas operem até 2023, além de autorizar o funcionamento das 17 novas áreas com redução de impostos. Atualmente, as zonas francas do Uruguai, menores que as brasileira e argentina, também têm permissão para funcionar. "Mas agora com essa medida brasileira, as províncias argentinas, que têm zonas francas quase inexistentes, em respeito às normas do Mercosul, vão querer incrementá-las também", disse Ochoa. União Européia Na opinião do economista, a decisão brasileira, mesmo depois dos vetos de Lula, vai prejudicar as discussões de acordo com a União Européia. "Estas ZPEs serão uma porta para produtos da China e ainda vão perfurar outras regras do Mercosul, com o destino de 20% destas zonas francas para o mercado interno brasileiro e assim também para o Mercosul", insistiu. Ouvidos pela BBC Brasil, Ochoa, Sica, Zylbersztein e García avaliam que esse é um debate que ainda pode demorar muito. As discussões sobre as ZPEs serão um dos principais assuntos da reunião entre os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, e da Argentina, Jorge Taiana, nos dias 3 e 4 de agosto, no Rio de Janeiro. |
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