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Atualizado às: 20 de julho, 2007 - 22h27 GMT (19h27 Brasília)
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América Latina 'é terceira região mais perigosa para se voar'

Aviõão da TAM
Causas de acidentes são similares em todas as regiões, diz Iata
A região da América Latina e Caribe é considerada a terceira mais perigosa para se voar no mundo, segundo o ranking de acidentes aéreos em oito regiões compilado pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), com sede em Genebra.

De acordo com os dados mais recentes da organização, de 2006, a América Latina e o Caribe registraram uma taxa de acidentes aéreos de 1,8 por 1 milhão de partidas – incluindo o acidente com o vôo da Gol em setembro do ano passado. Esse índice é quase três vezes maior do que a média mundial, de 0,65.

Na Comunidade dos Estados Independentes (CEI), que reúne Rússia e mais 11 países da ex-União Soviética, o índice foi de 8,6 acidentes por 1 milhão de partidas. A África registrou taxa de 4,31 acidentes por 1 milhão de partidas.

As estatísticas referem-se somente a acidentes com aeronaves construídas por empresas ocidentais.

Histórico

“As estatísticas mostram que a América Latina tem um nível que não está mal. Não está entre as melhores regiões do mundo. Podemos dizer que está mais para médio. Estamos trabalhando para melhorar”, diz Jose Miguel Ceppi, diretor para América do Sul da Organização Internacional de Aviação Civil (Icao, na sigla em inglês).

Um ranking similar da Icao, compilado de 2000 a 2004, também indica a América Latina em terceiro lugar na taxa de acidentes, atrás da África e do Oriente Médio.

Steve Lott, porta-voz da Iata, em Washington, não aponta problemas específicos da América Latina, mas diz que as causas de acidentes são similares em todas as regiões.

“São casos de falta de treinamento, infra-estrutura precária e pouco investimento. Muitos países não têm recursos ou know-how para acompanhar o rápido crescimento do setor aéreo”, diz Lott.

De acordo com o relatório anual da Iata, 26% dos acidentes ocorridos no ano passado envolveram problemas operacionais, como, por exemplo, falta de normas de segurança; 25% foram causados, em parte, por fatores humanos, como erro da tripulação; 25% envolveram infra-estrutura inadequada.

Índice de acidentes por um milhão de partidas/2006
CEI 8,6
África 4,31
América Latina e Caribe 1,8
Ásia e Pacífico 0,67
América do Norte 0,49
Europa 0,32
Norte da Ásia 0,0
Oriente Médio e Norte da África 0,0
Fonte: Iata

Para o especialista em segurança de aviação Todd Curtis, fundador do site airsafe.com, uma das causas de acidentes é o uso de aeronaves antigas, já de segunda ou terceira mão.

“Isso ocorre principalmente em companhias menores da África”, diz Curtis.

Ele acrescenta que muitos países africanos também enfrentam problemas de infra-estrutura do controle aéreo. Há casos de aeroportos sem torre de controle, equipamento de previsão de tempo adequado ou instrumentos para aterrissagem.

“A América Latina enfrenta problemas semelhantes aos da África mas em escala menor. As deficiências não tendem a ser verificadas nos aeroportos internacionais, que seguem as normas internacionais de segurança. O problema está nos aeroportos domésticos. Países grandes, como o Brasil, adotam as regras para os aeroportos nacionais também, mas já países menores não têm recursos para investir.”

Politicagem

Diante desse cenário, profissionais treinados, como pilotos e técnicos, acabam se mudando para outros países à procura de salários maiores.

“É o caso de pilotos brasileiros que estão indo para a China”, observa William Voss, presidente da Fundação Flight Safety, baseada na Virgínia, Estados Unidos.

No entanto, problemas operacionais, de infra-estrutura ou de recursos humanos não são as únicas grandes causas de acidentes aéreos na avaliação de Voss.

“Observamos que nas regiões que registram mais acidentes há uma interferência maior de políticos. É o caso da Indonésia e mesmo do Brasil, onde até juizes interferem no setor de aviação”, comenta o especialista, que vê nessa interferência política uma falta de independência no setor aéreo, o que pode resultar em decisões não tomadas a partir de opiniões técnicas, mas, sim, eleitorais.

“É bizarro ver um político ou um juiz dizendo qual avião deve voar em determinada pista”, diz Voss. “Mais triste ainda quando transformam desastres aéreos em eventos políticos.”

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