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Atualizado às: 20 de julho, 2007 - 00h49 GMT (21h49 Brasília)
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Especialista britânico comenta rumos de investigação
Acidente com avião da TAM
Acidente ocorreu sob chuva e em pista criticada por ser curta demais
A investigação sobre o acidente com o Airbus A320 da TAM tenta descobrir o motivo que levou o avião a sair da pista do aeroporto de Congonhas e bater em um prédio, matando cerca de 200 pessoas.

O acidente ocorreu sob chuva e em uma pista várias vezes criticada por ser curta demais. Também foram levantadas questões sobre a velocidade do avião ao tocar na pista.

O especialista em aviação Tim Robinson, da revista Aerospace International, publicação da Royal Aeronautical Society, da Grã-Bretanha, comenta os principais pontos da investigação sobre o acidente.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista de Robinson à BBC:

BBC - Na sua opinião, qual será o foco principal da investigação sobre o acidente?

Tim Robinson - Ainda é muito cedo para tirar conclusões sobre as causas dessa tragédia, mas entre os fatores que serão examinados em qualquer investigação sobre segurança estarão as condições climáticas e as condições da pista - como, por exemplo, o quanto estava molhada.

As pessoas envolvidas na investigação também deverão determinar as condições em que a aeronave se encontrava, principalmente os freios e quando eles foram revisados pela última vez.

O fator humano também é chave - a qualificação e a experiência dos pilotos, se a tripulação seguiu os procedimentos corretamente, se eles estavam cansados.

BBC - E quanto ao fato de a pista estar molhada e ter sido recentemente reformada?

Robinson - A pista molhada é muito perigosa e exige uma aterrissagem ainda mais cuidadosa e precisa. Um estudo realizado em 2005 mostrou que o risco de um acidente por derrapagem no pouso aumenta em 10 vezes quando a pista está molhada ou com poças d´água.

Além disso, a pista do aeroporto estava prestes a ser melhorada. A investigação deverá examinar essa questão cuidadosamente para verificar se o fato de essa melhora na pista não estar pronta contribuiu para que houvesse aquaplanagem.

No dia 16 de julho, outra aeronave, um Pantanal ATR 42, também derrabou e saiu da pista em Congonhas. No entanto, nesse episódio nenhuma das 21 pessoas a bordo sofreu ferimentos.

BBC - Apesar de ser um dos aeroportos mais movimentados do Brasil, Congonhas tem uma das pistas mais curtas do país. Isso pode ter contribuído para o acidente?

Robinson - O aeroporto é apelidado de "porta-aviões" por causa da falta de margem de erro em sua localização. No entanto, o comprimento da pista não deve ser uma questão tão importante, já que as aeronaves têm freios e reversores poderosos. O Airbus A320 pode aterrissar em 1.470 metros (a pista de Congonhas tem 1.939 metros).

Mas excesso de peso, alta velocidade ao aterrissar e pista molhada ou escorregadia exigem cuidado redobrado por parte da tripulação.

BBC - Congonha é famoso por estar situado em uma área densamente habitada. A localização do aeroporto pode ter cotribuído para o acidente? E há um problema maior em relação aos aeroportos em geral, que antigamente tinham bastante espaço e atualmente foram cercados pelo crescimento urbano, sem espaço para se expandir?

Robinson - O planejamento urbano obviamente leva em conta os aeroportos e as questões de segurança relacionadas ao crescimento populacional ao redor deles. Mas em São Paulo a densidade populacional é extremamente alta e isso se reflete na pouca distância dos prédios em relação ao perímetro - apenas 150 metros.

A maioria dos aeroportos tem uma área de segurança maior na qual, caso uma aeronave derrape na pista, há um espaço adequado para que desacelere sem atingir obstáculos.

Na maioria das vezes, esses episódios em que a aeronave derrapa na pista não são sérios e são considerados incidentes menores.

BBC - O aeroporto de Santos Dumont, no Rio de Janeiro, tem uma pista ainda menor que a de Congonhas e os pilotos precisam de treinamento especial para aterrissar lá. Há outros exemplos de pistas onde é mais difícil pousar?

Robinson - O aeroporto de Santos Dumont, no Rio de Janeiro, tem uma pista de apenas 1.323 metros, então os pilotos precisam passar por uma familiarização extra para garantir que pousem a aeronave com a velocidade exata necessária para que fiquem dentro dos limites.

Outros aeroportos onde é mais difícil pousar são o de London City - onde aeronaves pequenas têm de chegar com um ângulo de descida mais acentuado -, e o de Innsbruck, na Áustria, que está localizado entre as montanhas.

Talvez o mais difícil de todos seja o antigo aeroporto de Kai Tak, em Hong Kong, que exigia uma longa aproximação em meio a arranha-céus cercados de montanhas.

BBC - As regras de aviação internacional especificam um comprimento mínimo para as pistas?

Robinson - As aeronaves precisam de mais espaço para decolar do que para pousar, então o comprimento mínimo de uma pista é sempre determinado pelo desempenho na decolagem.

Entre os fatores avaliados estão o tipo de aeronave, a temperatura, a altitude do aeroporto, o peso na decolagem e a existência de obstáculos.

Se uma pista é muito curta para a decolagem, ela também será muito curta para a aterrissagem.

BBC - Em anos recentes a indústria aérea brasileira enfrentou uma série de problemas, incluindo a falência de empresas aéreas e greve de controladores de vôo. Isso é parte de um efeito cumulativo de uma indústria em crise?

Robinson - Se o padrão de segurança aérea de um país cai, a União Européia tem o poder de banir suas companhias aéreas de voar na Europa, colocando esse país em uma "lista negra". A Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) também tem o poder de rebaixar o status de segurança aérea de um país.

O Brasil não foi colocado em nenhuma dessas categorias e tem um histórico de segurança relativamente bom.

No entanto, o acidente com o avião da Gol no ano passado e a greve dos controladores de vôo talvez tenham levado a uma crise de confiança na indústria.

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