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Para Wall St Journal, tragédia em SP é alerta para o mundo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A tragédia com o Airbus A320 da TAM em São Paulo serve de alerta para o mundo, destaca nesta quinta-feira uma reportagem do jornal The Wall Street Journal. Mais do que evidenciar a sobrecarga da infraestrutura aérea brasileira e a dificuldade do governo federal em resolver o problema, diz o jornal, o acidente é um "sinal de alerta para uma indústria da aviação que experimenta uma intensificação no tráfego sem o equivalente aumento na atenção dada a questões de segurança". "Preocupações com segurança são globais por natureza, na medida em que países da Argentina à Índia testemunham uma nova geração de linhas aéreas que se expandem rapidamente e uma elevação maciça no tráfego." Dados citados pelo WSJ indicam que o trânsito de passageiros no Brasil deve crescer 8,3% neste ano, quase o dobro da taxa global de 4,4%. Mas o investimento na infraestrutura aérea não tem crescido no mesmo passo. A matéria afirma que, nos últimos anos, a taxa de acidentes na América Latina vem caindo gradualmente – em 2006, reduziu-se a quase um acidente para cada milhão de decolagens, um patamar que o WSJ diz ser "quase tão seguro, pelo menos naquele ano, quanto em algumas partes da Europa". Por outro lado, diz o texto, "se as empresas e autoridades americanas tomaram várias medidas para reduzir os riscos de perda de controle na pista, particularmente sob chuva ou neve, estas ações não têm sido abraçadas com a mesma freqüência em outros países". Para o WSJ, o acidente no Brasil destaca ainda "a limitada influência" de grupos internacionais de segurança aérea, cujas recomendações "não prevêem fundos para melhorias". "Os grupos têm poucas capacidades de implementação além de embaraçar um país divulgando resultados pouco honrosos de auditorias de segurança." Crescimento fatal Na mesma linha, o italiano Corriere della Sera afirma que "houve um crescimento selvagem do tráfego (aéreo brasileiro), sem regras, e apenas com maquiagem na infra-estrutura". O jornal notou que, na era dos vôos a baixo custo, as viagens aéreas no Brasil viraram "transporte de massa". Com longas distâncias, rodovias precárias e rede ferroviária para transporte de passageiros praticamente inexistente, a rede aérea leva milhões de pessoas que antes eram obrigadas a fazer longos trajetos por terra. "O que soa como uma história de sucesso e inclusão social contém há muito tempo as sementes do desastre", diz o Corriere. "Quem chega a Salvador, Recife ou Fortaleza dificilmente se dá conta da desorganização. Longe das metrópoles do sul, o Brasil exibe aeroportos novos, elegantes e até mesmo superdimensionados para o tráfego." "Mas na infraestrutura que realmente conta (e que não dá voto aos políticos locais) nada ou pouco se fez." "De crescimento selvagem também se pode morrer." |
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