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Brasil e Índia 'bateram a porta na cara dos países ricos', diz jornal | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Brasil e Índia "bateram a porta na cara dos países ricos" ao se retirar das negociações para alcançar um acordo dentro da Rodada Doha, destacam dois jornais internacional nesta sexta-feira. A imprensa estrangeira destacou o retrocesso causado pela falta de acordo entre os países do chamado G4, grupo formado por União Europeia e Estados Unidos, representando os países industrializados, e Brasil e Índia, como porta-vozes das nações em desenvolvimento, em reunião na quinta-feira na cidade alemã de Potsdam. "O Brasil e a Índia, ao bater brutalmente a porta das negociações no nariz dos europeus e americanos, mergulham a OMC em um impasse", diz o diário francês Le Figaro. "Agora os quatro grandes atores da OMC não têm opção além de tentar não perder a pose." Descrevendo as negociações, o jornal exclama: "Difícil encontrar clima pior!" O Figaro lembra que Brasília havia proposto uma redução de 30% nas taxas de importação de bens industriais europeus e americanos, acima do nível de 20% desejado pelos países ricos. Por outro lado, o Brasil queria que os EUA reduzissem a pelo menos US$ 12 bilhões a ajuda a produtores agrícolas na forma de subsídios – um corte mais ousado que os US$ 17 bilhões aceitos por Washington. Para o diário francês, o fracasso das negociações coloca o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, "contra a parede": "Pascal Lamy pode até negar, como fez ontem, mas é difícil não crer que o fracasso de Potsdam não significa a morte da Rodada Doha." Negociações gerais O argentino Clarín também descreveu o gesto de Brasil e Índia em Potsdam como "bater a porta na cara das grandes potências". "Em Washington, esta ruptura das negociações foi vista como uma afronta", diz a matéria do jornal sobre o assunto. "Bush pôde apenas expressar seu 'desagrado' pela atitude dos brasileiros e indianos." "Agora, a pressa é das grandes potências. Apostam que em Genebra, na próxima semana, sairão os resultados da reunião dos 154 países da OMC", esclarece o Clarín. Entretanto, uma fonte do governo argentino do jornal disse: "Imagine: se quatro negociadores não conseguiram aproximar as posições, muito mais difícil seria lograr um acordo entre uma centena e meia de países". China Já o britânico Financial Times afirma que os temores em relação a um aumento das importações de bens industriais chineses está por trás da postura de brasileiros e indianos. Em entrevista ao jornal, a representante americana na reunião, Susan Schwab, afirma ter ficado "surpreendida" pela "rigidez" dos dois países. "Ela disse que Kamal Nath e Celso Amorim, os ministros indiano e brasileiro de Comércio (sic – na verdade, ambos são ministros de Relações Exteriores), se mostraram menos flexíveis em relação às tarifas sobre produtos manufaturados em Potsdam que em negociações anteriores", escrevem os repórteres do FT. Susan Schwab atribuiu essa mudança aos temores em relação à economia chinesa, mas também ao fato de que só agora, à medida que as negociações avançam, é que saem a claro as divergências internas no grupo dos países emergentes. "Schwab indicou que ambos os países ainda não resolveram como demonstrar liderança ao mundo desenvolvido", disse o diário econômico britânico, notando porém que a secretária "reservou suas palavras mais duras à Índia". "O Brasil escolheu a solidariedade econômica entre os países em desenvolvimento em detrimento de seu interesse econômico", ela teria dito ao FT. |
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