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Atualizado às: 15 de junho, 2007 - 08h14 GMT (05h14 Brasília)
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A oitava maravilha
Ivan Lessa
Brasil e seus brasileiros, ou ao menos boa parcela de seus habitantes, estão assanhadíssimos com a possibilidade da estátua do Cristo Redentor, no morro do Corcovado, constar da nova lista que anda correndo por aí em busca das atuais sete maravilhas do mundo.

Eu mesmo já estava com vontade de dar uma de espírito de porco e votar no Pão de Açúcar, de onde a vista, até onde me lembro, era bem mais bonita.

Fico grato a um artigo publicado recentemente no "Estadão" pelo Sérgio Augusto onde, parágrafo por parágrafo, frase por frase, dado por dado, o velho amigo e jornalista (eu sou homem de botar logo as cartas na mesa) desmonta a empulhação dessa tal de enquete que, conforme ele diz, e nós sabemos, movimenta a internet.

Sérgio Augusto, inclusive acha a vista do Pão de Açúcar muito melhor, de onde tirei, ou pedi emprestada, sua visão de carioca. Resumo a história baseado nos dados paciente e diligentemente levantados pelo Sérgio Augusto.

Vamos ver essa história.

Um canadense nascido na Suíça, chamado Bernard Weber, foi o homem a inventar a seleção. Por etapas: canadense, e podem me chamar de preconceituoso, é meio improvável, digamos assim.

Ninguém é canadense impunemente, conforme dizem os americanos mais belicosos. Capaz de ser verdade. Os canadenses são os peruanos do norte do continente, o que para quem entende de peruano (coitados) sabe muito bem. Mais não digo.

Agora, e aí eu fico mordido (conforme se dizia), como “canadense nascido na Suíça”? Os suíços que se prezam nascem na Suíça mesmo.

Os canadenses condenados a esta condição nascem, e não é culpa deles, no Canadá.

Os suíços ficam por lá, lidando com nossas contas secretas no exterior, brincando com canivetinho do famoso e nunca visto exército, separando brigas, pulando em cima de muros, fazendo da neutralidade uma espécie superior de arma branca.

Os canadenses? Vão para a Suiça levantar uma nota dos outros.

Sigamos em frente. Na revista Piauí, outro escritor e jornalista, Roberto Kaz, traça o perfil de Bernard Weber, que, segundo ele, “não é apenas um desocupado a serviço de milhões de desocupados, mas um tremendo picareta.”

De picareta, eu manjo. Idem, Sérgio Augusto. O canadense suíço (olha a falta de ocupação aí, atentem para a pala da picaretagem) defende a atualização das sete maravilhas com argumentos, segundo o colaborador do "Estadão", “que oscilam entre a falácia e a demagogia”.

Sete, além de sua mística cabalística, também é conta de mentiroso, diz o povo em sua imensa sabedoria.

E o mentiroso, acrescentamos nós, está a 10 segundos do empulhador, ou 25 do golpista.

As maravilhas maravilhosas mesmo

As primeiras sete maravilhas, aquelas que contam, as originais, foram escolhidas pelo sábio bizantino Fílon no século III a.C., depois de ter percorrido todo o Ocidente civilizado.

Olhou, admirou, guardou em sua mente, na época o equivalente a essas câmeras que vêm junto com esses ubíquos celulares, as maravilhas de então: da grande pirâmide de Queops ao farol da ilha de Faros.

Para sermos docemente didáticos, lembremos as outras cinco maravilhas, em homenagem a Fílon, Sérgio Augusto e Roberto Kaz: os Jardins Suspensos da Babilônia, a estátua de Zeus em Olímpia, o templo de Diana em Éfeso, o mausoléu (daí o nome) do rei Mausolo em Halicarnasso e o Colosso de Rodes.

Agora, à trampolinagem suíço-canadense. O leitor amigo que bata às porteiras do sítio oficial e lá, então, procure votar em nosso Corcovado. É fuçar e escolher. Com musiquinha e cartão-postal. E como fazer para pagar os US$ pelo voto.

Como? Não sabia que o voto é pago? Pois é. Igualzinho a certos países maravilhosos do mundo moderno. Que “canadada”, hem? Ô “suiçarada”, sô!

E a ponte 25 de Abril em Lisboa?

O resultado da apuração final será divulgado em Lisboa, no dia 7 de julho. Deve ser, também, em uma das duas sete horas que os dias têm.

Os milhares de brasileiros que decidiram, mediante cartão de crédito, se separarem de seu rico dinheirinho, uma vez que o dólar continua estrebuchando em dó maior, que fiquem por aí torcendo.

O ufanismo não conhece fronteiras ou bom senso. Cristai-vos, pois, brasileiros! Redentorai-vos! Corcovadeiem-se às pamparras!

Maravilha mesmo, para mim, continuará sendo o Viaduto do Chá, em São Paulo, se ainda estiver lá aquele homem que fazia esculturas de areia no lado norte do bichão…

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