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Atualizado às: 15 de junho, 2007 - 13h32 GMT (10h32 Brasília)
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Análise: O Oriente Médio está à beira de um colapso?

Militante do Hamas em Gaza
O conflito recente deixou o Hamas no controle da maior parte de Gaza
Esta quinta-feira foi um dia de suma importância para os palestinos. À noite, o presidente da Autoridade palestina, Mahmoud Abbas, tomou a decisão de destituir o primeiro-ministro eleito, do Hamas, e declarar estado de emergência.

Foi uma ação drástica, mas que, na prática, não afeta muito o braço armado do Hamas em Gaza. Não está claro se mesmo os políticos eleitos pelo Hamas na região têm qualquer influência sobre o que está acontecendo.

O conflito deixou militantes encapuzados do grupo no controle da maior parte da Faixa de Gaza. As famosas Forças de Segurança Preventiva do Fatah foram derrotadas e seu quartel general, tomado.

'Figura importante'

Os militantes do Hamas em Gaza venceram por serem melhor treinados e liderados que aqueles do Fatah.

Muitas das forças que o Fatah esperava que estivessem ao seu lado não tomaram parte no conflito. Algumas até se dissolveram. Certos líderes locais do Fatah decidiram se concentrar em pactos de não-agressão com o Hamas.

Os homens que, de fato, pegaram as armas eram, em sua maioria, leais ao líder do Fatah em Gaza, Muhammad Dahlan - o homem que os Estados Unidos esperavam que fosse derrotar o Hamas. Mas ele não estava lá para liderar seus homens, e tampouco estavam outras figuras-chave do Fatah.

Dahlan é o inimigo número um do Hamas. Ele é um dos principais aliados dos Estados Unidos na região e também é visto por Israel como uma figura importante.

Os Estados Unidos têm trabalhado duro para ajudar Dahlan a fortalecer suas tropas.

Ele estava ausente, recebendo tratamento médico no Egito, quando um militante do Hamas chutou a porta de seu escritório e atirou em sua mesa.

Dahlan está agora de volta à Ramallah, na Cisjordânia, ao lado do presidente Abbas.

Estado de emergência

O homem que disparou tiros no escritório de Dahlan foi filmado dizendo: "Este é o destino de traidores como o canalha do Muhammad Dahlan!"

O suposto papel do estado de emergência é deixar a violência sob controle. O risco é que este torne a situação ainda mais grave.

Alguns palestinos temem que o fim do governo de unidade leve ao colapso da Autoridade Palestina e de outras instituições que poderiam se tornar parte do aparato de um Estado independente.

As instituições, e as esperanças por trás delas, já levaram uma grande surra com as ações militares de Israel nos últimos sete anos e, mais recentemente, com as sanções financeiras impostas por Israel e outros países depois da vitória do Hamas nas eleições democráticas realizadas no início do ano passado.

Os eventos desta semana parecem ser a gota d'água.

Um analista palestino contatado pela BBC diz temer que os danos causados à sociedade palestina pela atual crise e pelos anos de tensão que a causaram seriam comparáveis à destruição das estruturas sociais palestinas em 1948, quando Israel foi criado.

É um evento ao qual os árabes ainda se referem como "a catástrofe".

Derrota política

Os fatos recentes também revelam a derrota da decisão das grandes potências mundiais de isolar o Hamas.

As sanções financeiras impostas - que causaram uma pobreza absoluta e serviram de combustível para a violência em Gaza, deixando a população ainda mais desesperada - foram desenhadas para forçar o Hamas a reconhecer Israel ou tirá-lo do poder.

A medida não alcançou nenhum dos dois objetivos.

Os sauditas, que deram um apoio essencial a Abbas, não vão querer ver o fim do governo de unidade, já que trabalharam duro para criá-lo. Ele deveria ser o ponto alto da nova política externa da Arábia Saudita.

O primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniya, tem interesse em manter uma relação de trabalho com Abbas. Sem isso, o Hamas estará ainda mais isolado.

Logo, Arábia Saudita e Egito tentarão forçar Hamas e Fatah a negociar. Se não conseguirem, e o futuro dos palestinos for derramar o sangue de uns e outros em regiões rivais - Gaza e Cisjordânia - sob o olhar da força de ocupação, Israel, então não haverá nenhuma chance para um acordo de paz mais abrangente no Oriente Médio.

Os líderes militantes do Hamas não acreditam que um acordo seja possível. E isso significa que o sonho de tantos palestinos de ter um Estado independente pode morrer por mais uma geração.

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Hamas aumenta controle em Gaza.
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