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Atualizado às: 14 de junho, 2007 - 18h43 GMT (15h43 Brasília)
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Presidente palestino dissolve governo de união
Militantes do Hamas em Gaza
Hamas assumiu o controle de quase toda a Faixa de Gaza
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, decidiu nesta quinta-feira dissolver o governo de união nacional formado pelos grupos Hamas e Fatah.

A decisão de Abbas foi uma reação aos violentos confrontos entre as duas facções palestinas registrados nos últimos dias na Faixa de Gaza.

Abbas, que também é líder do Fatah, declarou ainda estado de emergência nos territórios palestinos.

Um porta-voz do presidente palestino disse que novas eleições podem ser convocadas quando a situação nos territórios palestinos se estabilizar.

Segundo assessores, Abbas destituiu o primeiro-ministro Ismail Haniya, do Hamas, e se prepara para indicar um novo nome para o cargo.

Até a formação de um novo governo, Abbas pretende governar por meio de decretos presidenciais.

Reação

O Hamas rejeitou a decisão de Abbas. "Em termos práticos, essas medidas são inúteis", disse um porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri.

"O primeiro-ministro Haniya permanece como chefe do governo mesmo que este seja dissolvido pelo presidente", afirmou o porta-voz à agência de notícias Reuters.

O governo de união havia sido formado há três meses para tentar superar o boicote internacional ao Hamas, que controla o Parlamento desde que venceu as eleições no início de 2006.

Pouco antes de o presidente palestino tomar a decisão, a OLP (Organização pela Libertação da Palestina) já havia recomendado a dissolução do governo.

De acordo com assessores de Abbas, o presidente palestino também está aberto à idéia do envio de uma força de paz internacional à região.

O correspondente da BBC em Jerusalém, Matthew Price, afirma que assim que o decreto presidencial for assinado, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza serão efetivamente separadas uma da outra: Gaza ficará sob o controle do Hamas, e a Cisjordânia, do Fatah.

Apoio americano

Em Washington, autoridades americanas disseram que a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, telefonou nesta quinta-feira para o presidente palestino.

Um porta-voz afirmou que, na ligação, Rice destacou o apoio americano a Abbas e ao que chamou de "palestinos moderados".

Durante o dia, combatentes do Hamas ampliaram o controle do grupo em Gaza.

Testemunhas dizem que o Hamas fincou sua bandeira no prédio das forças de Segurança Preventiva do Fatah na Cidade de Gaza. Relatos indicam que 14 palestinos, a maioria funcionários de segurança do Fatah, foram mortos.

"O que aconteceu hoje no prédio das forças de Segurança Preventiva foi uma segunda libertação da Faixa de Gaza", disse um porta-voz do Hamas, referindo-se à retirada de tropas e colonos israelenses da região em 2005.

Militantes também atearam fogo às instalações da rádio Voz da Palestina, que é considerada pró-Fatah.

Tiroteios foram registrados em outros locais de Gaza, com o Hamas atacando prédios do comando político e de segurança do Fatah.

Estima-se que pelo menos 20 pessoas foram mortas durante esta quinta-feira, a maioria membros do Fatah.

Comissão Européia

Diante do agravamento da situação, a Comissão Européia anunciou a suspensão da ajuda humanitária à Faixa de Gaza devido ao que classifica como confrontos "suicidas" entre facções.

O comissário europeu Louis Michel disse que a população de Gaza necessita desesperadamente de proteção, mas que projetos de ajuda não podem ser retomados até que a segurança seja restabelecida.

As notícias dão conta de que o Hamas tomou conta de praticamente toda a Faixa de Gaza, após cinco dias de intensos combates contra a facção rival, em que mais de cem pessoas já morreram.

Mesmo tendo anunciado um acordo de cessar-fogo, os dois principais grupos políticos dos territórios palestinos continuaram a se enfrentar nesta quinta-feira.

O braço armado do Hamas afirma não ter recebido ordem para suspender os ataques, conforme as regras do cessar-fogo.

Mais cedo, outro prédio importante, do Serviço de Segurança Nacional, veio abaixo por uma série de disparos de morteiro lançados contra a estrutura.

Em outras partes de Gaza, forças do Fatah destruíram posições-chave em vez de abandoná-as, segundo a agência de notícias Associated Press.

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