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Dissolver governo foi 'precipitado', diz líder do Hamas | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O líder do Hamas e primeiro-ministro destituído, Ismail Haniya, disse que a decisão do presidente Mahmoud Abbas de tirá-lo do cargo e dissolver o governo de união nacional foi "precipitada". Haniya também descartou a possibilidade de um Estado palestino separado na Faixa de Gaza, sem a Cisjordânia. Depois de mais um dia de combates no qual seus militantes capturaram posições-chave mantidas pelo Fatah, o Hamas, facção de Haniya, afirmou que tem o controle total de Gaza, incluindo o complexo presidencial na Cidade de Gaza. Na noite de quinta-feira, as bandeiras verdes do Hamas podiam ser vistas em vários pontos de Gaza, e seus apoiadores comemoravam nas ruas. O presidente Abbas, que pertence ao Fatah, anunciou na quinta-feira a dissolução do governo de união nacional formado pelos grupos Hamas e Fatah e decretou estado de emergência nos territórios palestinos. A decisão de Abbas foi uma reação aos violentos confrontos entre as duas facções palestinas registrados nos últimos seis dias na Faixa de Gaza, que já deixaram mais de cem mortos. Um porta-voz do presidente palestino disse que novas eleições serão convocadas quando a situação nos territórios palestinos se estabilizar. Até a formação de um novo governo, Abbas pretende governar por meio de decretos presidenciais. No entanto, em uma coletiva de imprensa na Cidade de Gaza na manhã desta sexta-feira (noite de quinta-feira pelo horário de Brasília), Haniya disse que vai manter o governo de unidade e impor lei e ordem "decisivamente e legalmente". Divisão O governo de união havia sido formado há três meses para tentar superar o boicote internacional ao Hamas, que controla o Parlamento desde que venceu as eleições no início de 2006. Segundo o correspondente da BBC em Jerusalém Matthew Price, assim que o decreto presidencial for assinado, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza serão efetivamente separadas uma da outra: Gaza ficará sob o controle do Hamas, e a Cisjordânia, do Fatah. Durante toda a quinta-feira, militantes do Hamas ampliaram o controle do grupo em Gaza e celebraram a "libertação" da região. Em um dos episódios de violência, o Hamas capturou forças de Segurança Preventiva do Fatah na Cidade de Gaza, deixando 14 mortos, a maioria funcionários de segurança do Fatah. À noite, os militantes do Hamas comemoraram a captura do complexo presidencial - que estava desprotegido depois que os homens do Fatah fugiram do local - como a queda do "último bastião" do poder do Fatah em Gaza. O ministro palestino de Informação, Mustafa Barghouti, disse que o Hamas tem controle total de Gaza e que a crise tem implicações mais amplas. "O que está acontecendo não é apenas o colapso do governo palestino de unidade nacional, mas o colapso de toda a Autoridade Palestina", disse Barghouti. Reações A situação em Gaza provocou reações em todo o mundo. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou estar "profundamente preocupado" e pediu o fim dos confrontos. A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, telefonou nesta quinta-feira para o presidente palestino e destacou o apoio americano a Abbas e ao que chamou de "palestinos moderados". A ministra do Exterior da Grã-Bretanha, Margaret Beckett, também manifestou preocupação com a situação em Gaza. A Liga Árabe pediu o fim imediato dos confrontos e vai discutir a crise em uma reunião de emergência nesta sexta-feira. Diante do agravamento da situação, a Comissão Européia anunciou a suspensão da ajuda humanitária à Faixa de Gaza devido ao que classifica como confrontos "suicidas" entre facções. O comissário europeu Louis Michel disse que a população de Gaza necessita desesperadamente de proteção, mas que projetos de ajuda não podem ser retomados até que a segurança seja restabelecida. Ao anunciar a decisão do presidente palestino, o porta-voz de Abbas afirmou que ele também está aberto à idéia do envio de uma força de paz internacional à região. |
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