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Jornadas longas são mais comuns em emergentes, diz OIT | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As longas jornadas de trabalho, que superam 48 horas semanais, são mais comuns nos países pobres que nos países ricos, indicou um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado nesta quinta-feira. Em países emergentes como o Peru e a Coréia do Sul, metade dos trabalhadores cumpre cargas horárias acima das 48 horas semanais – um contraste com países como a Noruega e a Holanda, onde apenas 5,3% e 7% da força de trabalho enfrentam tantas horas de atividade por semana. O estudo Jornada de Trabalho ao Redor do Mundo afirma que 22% dos trabalhadores ao redor do mundo – cerca de 614 milhões de pessoas – trabalham mais de 48 horas por semana. Na interpretação da OIT, esse fenômeno é resultado direto de processos típicos da globalização, como a terceirização e o crescimento do setor de serviços em todo o mundo. Especificamente nos países emergentes, trabalhadores que fogem do desemprego recorrem ao setor informal e são obrigados a encarar longas horas de atividade, normalmente para apenas empatar as contas no fim do mês, disse a OIT. Entretanto, muitos que trabalham poucas horas nos países em desenvolvimento acabam sendo subaproveitados, e acabam tendo mais chance de entrar na pobreza, afirmou o estudo. Globalização É a primeira vez que a OIT se debruça com mais atenção sobre a situação das jornadas de trabalho nos países emergentes. Pelos dados mais recentes (2004-05), o Peru é o país onde uma maior proporção dos trabalhadores enfrenta longas horas de trabalho, definidas como mais de 48 horas semanais: 50,9% da força de trabalho. A Coréia do Sul (onde 49,5% dos trabalhadores excede 48 horas semanais) ficou em segundo lugar na lista, seguida pela Tailândia (46,7%) e pelo Paquistão (44,4%). Os dados são contrastantes com o de países ricos, como a Noruega, onde apenas uma fração desta proporção necessita trabalhar tantas horas para pagar as contas. A OIT esclareceu que, nos países desenvolvidos, as longas horas são registradas normalmente no setor de serviços. Com quase dois terços de sua economia proveniente do setor de serviços, por exemplo, a Grã-Bretanha tem um em cada quatro trabalhadores (25,9%) cumprindo jornada maior que 48 horas. Israel (25,5%), Austrália (20,4%), Suíça (19,2%) e Estados Unidos (18,1%) vêm em seguida. Abismo de gênero O estudo diagnosticou uma grande heterogeneidade em termos de jornadas de trabalho, com muitos indivíduos trabalhando longas horas e outros trabalhando pouco demais - como no caso de mulheres, obrigadas a fazerem jornadas curtas pela necessidade de dedicar a maior parte de seu tempo ao “trabalho não-remunerado” doméstico, uma categoria que inclui a guarda das crianças, idosos, pessoas enfermas e tarefas domésticas em geral. A OIT cita um estudo conduzido pela Fundação Perseu Abramo em 2001, segundo o qual as mulheres são as principais responsáveis pelas tarefas domésticas em 96% dos lares brasileiros. Em três de cada cinco casais, diz o mesmo estudo, o homem não havia desempenhado nenhuma tarefa doméstica nas semanas anteriores. Um dado que evidencia este fenômeno é que, em casais com filhos, o trabalho remunerado de homens aumenta à proporção que o não-remunerado de mulheres diminui. Entretanto, disse a OIT, as mulheres compõem o grosso do exército de trabalhadores no campo doméstico – um setor que na América Latina, por exemplo, responde por 20% do emprego feminino. A OIT aproveitou a divulgação do estudo para pedir aos governos que tomem medidas para melhorar a qualidade da jornada de trabalho. "Jornadas mais curtas têm conseqüências positivas, incluindo benefícios para a saúde e a vida familiar dos trabalhadores, menos acidentes de trabalho, e a maior produtividade e igualdade entre os sexos", diz o estudo. |
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