|
Filho de líder soviético não crê em 'nova Guerra Fria' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Para o acadêmico russo-americano Sergei Khrushchev, falta aos atuais presidentes dos Estados Unidos e da Rússia - protagonistas da tensão que vem permeando a relação entre os dois países nas últimas semanas - a sabedoria de um líder como seu pai, Nikita Khrushchev, que comandou a União Soviética entre 1953 e 1964. ''Não creio que a atual tensão entre os dois países seja uma repetição da história. Trata-se apenas de o Ocidente se ajustando à nova Rússia. Antes, havia Gorbachev e Yeltsin, que eram líderes que só diziam 'sim, senhor'. Agora, quando a Rússia diz 'não', isso acaba causando choque'', afirma. Khrushchev pertence ao Departamento de Estudos Internacionais da Brown University e já escreveu diversos livros sobre variados aspectos da Guerra Fria, entre eles um dos principais episódios da gestão de seu pai, a Crise dos Mísseis Cubanos, que quase levou os Estados Unidos e a então União Soviética à guerra. O contexto, frisa ele, é bem distinto daquele do passado. ''Trata-se apenas de uma troca de palavras mais duras. Mas não haverá um retorno à Guerra Fria. O Ocidente vai acabar compreendendo que a Rússia tem interesses distintos. Assim comos os britânicos, franceses e alemães têm suas diferenças. Não é sempre que Londres diz sim a uma proposta vinda de Bruxelas ou de Berlim.'' Existem temores de que a troca de farpas entre George W. Bush e Vladimir Putin, que deverão se encontrar nesta quinta-feira durante a reunião do G8 na Alemanha, possa ofuscar o evento. No entender de Khrushchev, a retórica dos dois líderes vem causando danos a americanos e russos. ''É claro que é prejudicial. É preciso medir o que se faz e se fala. Meu pai, que era um político sábio, costumava dizer o tempo todo: 'Qualquer tolo é capaz de começar uma guerra. Mas é preciso vários homens inteligentes para encerrá-la'. Ele não se referia apenas à guerra de fato, mas a qualquer tensão.'' Falta de sabedoria Khrushchev crê que ambos os líderes chegarão a alguma espécide de consenso. ''Nenhum dos dois está demonstrando qualquer sabedoria. Espero que isso não vá muito longe. Estou procurando ser otimista com parte de minha alma americana e parte de minha alma russa.'' Radicado nos Estados Unidos há anos, Khrushchev se tornou cidadão americano em 1999. Mesmo tendo acompanhado a Guerra Fria de perto, na União Soviética, ele louva líderes americanos do passado, como Dwight Eisenhower e Ronald Reagan.
No entender dele, alguns dos motivos que estimularam a atual crise, os planos americanos de instalar um sistema de radar antimísseis na República Checa e dez interceptadores de mísseis na Polônia, remetem aos anos da Guerra Fria. ''Quando o presidente Eisenhower deixou o poder, ele disse que seria um desastre se o complexo militar-industrial passasse a ditar a política externa americana. A decisão de instalar esse radar na República Checa ocorreu por influência do complexo militar-industrial, que tem nostalgia dos anos 70. Da perspectiva de inteligência militar, essa decisão pode ser importante, mas, do ponto de vista político, foi um erro.'' De acordo com ele, a reação negativa da Rússia é justificável. ''Talvez se a Rússia decidisse instalar um sistema de radar como esses no México os Estados Unidos estariam ainda mais preocupados do que a Rússia se encontra agora.'' Reagan x Bush A imprensa americana chegou a apontar a influência de um dos mais populares presidentes americanos, Ronald Reagan, quando George W. Bush passou a criticar com mais regularidade a situação dos direitos humanos na Rússia e os supostos desvios democráticos do país. ''Não creio que ele tente se assemelhar ao presidente Reagan, que foi um grande presidente e ajudou a mudar o mundo. Bush é um líder fraco, com uma diplomacia mal-sucedida. Por isso, tenta usar a força o tempo todo. Ele não sabe se portar de outra maneira. Mas isso acaba tendo uma influência muito negativa nas relações entre os Estados Unidos e outros países, especialmente os países mais fortes, como a China, a Rússia e a Índia.'' Para Khrushchev, a visão dos americanos sobre democracia é ''de um alto grau de ingenuidade''. E acrescenta: ''Eles acham que se alcança a democracia da noite para o dia. Mas é um processo muito longo. O mais importante é que Putin não tente violar as instituições russas. Ele quer controlar a imprensa e consegue fazê-lo. Talvez o governo britânico quisesse fazer o mesmo, mas não é capaz, porque lá existe uma democracia muito mais forte do que a russa.'' Putin e antecessores No entender do analista, o atual líder russo tem divesas vantagens sobre seus antecessores. ''(Mikhail) Gorbachev era um sonhador. Ele abriu vários portões, mas foi varrido do Kremlin e não conseguiu completar suas reformas. Ele colocava o bem mundial, uma expressão que ele usava e que eu não sei bem o que quer dizer, acima das necessidades nacionais.'' Quanto a Boris Yeltsin, Khrushchev é inclemente. ''Yeltsin foi um desastre para a Rússia, uma força destrutiva. Você dava algumas bebidas a ele, e ele assinava o que você quisesse.'' Putin, em seu entender, é distinto. ''Não concordo com tudo o que ele diz, mas ele compreendeu que para se ter êxito como líder na Rússia é preciso satisfazer toda a nação. E parte dela quer viver no período soviético, parte na monarquia e parte no futuro. Ele está equilibrando estes interesses de uma maneira inteligente, muito mais do que Gorbachev e Yeltsin.'' |
NOTÍCIAS RELACIONADAS Tensão entre EUA e Rússia deve dominar agenda do G806 junho, 2007 | BBC Report Bush critica Rússia por 'desvio em reformas democráticas'05 de junho, 2007 | Notícias Em 'recado' para Putin, Bush diz que 'Guerra Fria acabou'05 de junho, 2007 | Notícias Ameaça da Rússia contra Europa é 'inútil', diz Otan04 de junho, 2007 | Notícias Europa pode virar alvo de ataques russos, diz Putin03 junho, 2007 | BBC Report Teste de míssil é reação a ações dos EUA, diz Putin31 de maio, 2007 | Notícias Rússia testa com sucesso míssil 'indefensável'29 maio, 2007 | BBC Report EUA defendem escudo antimísseis, apesar de oposição russa15 de maio, 2007 | Notícias LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||