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União Européia propõe parceria estratégica ao Brasil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A União Européia apresentou nesta quarta-feira uma proposta de "parceria estratégica" com o Brasil. Em um comunicado, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, disse que o Brasil é um "parceiro importante" para o bloco. "Não só partilhamos laços históricos e culturais estreitos, valores e um forte empenhamento nas instituições multilaterais, mas também a capacidade para dar uma contribuição decisiva para o tratamento de muitos desafios globais como as alterações climáticas, a pobreza, o multilateralismo, os direitos humanos e outros", afirmou Manuel Barroso. "Ao propor um estreitamento desses laços, reconhecemos o estatuto do Brasil como 'protagonista fundamental' para integrar o clube restrito dos nossos parceiros estratégicos." A medida pode aumentar a cooperação bilateral e facilitar a atuação conjunta em outros países, além de servir como uma porta de entrada do bloco europeu na região. "O Brasil é o maior país da América do Sul e o líder natural do Mercosul e da região", afirmou o embaixador da União Européia no Brasil, João Pacheco. Apesar de a proposta ao Brasil ocorrer em um momento de impasse nas negociações do bloco europeu com o Mercosul, Pacheco diz que o objetivo não é "quebrar o Mercosul". OMC "Reconhecer a importância da relação com o Brasil não implica não reconhecer a importância dos outros países", disse o embaixador. "É importante também para a Argentina que tenhamos uma boa relação com o Brasil", disse ele, quando foi questionado sobre um possível "ciúme" do país vizinho. "A importância do Brasil no mundo não tem par na América do Sul", afirmou. Pacheco disse que a União Européia quer esperar uma definição maior da situação da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio, para então retomar as negociações com o Mercosul. A lógica, segundo ele, é que se houver um acordo geral entre todos os membros da OMC, esta será a base sobre a qual se desenvolverão as negociações entre os dois blocos. Se não houver acordo nas próximas semanas, ele acha que as negociações multilaterais devem ficar paradas por alguns anos, abrindo da mesma maneira uma oportunidade para a retomada das negociações. Neste caso, o embaixador admite que elas podem ficar ainda mais fáceis. "Achamos que será melhor para todo mundo um acordo geral, mas se houver fracasso em Doha ainda há espaço para fechar as negociações com o Mercosul", afirmou Pacheco. "Negociações bilaterais não são tão complicadas. Com mais parceiros, há mais interesses", disse, referindo-se às negociações na OMC. "Potencial de investimento" A proposta foi feita pela Comissão Européia, o órgão executivo do bloco, ao Parlamento Europeu e aos 27 países-membros. Se aprovada, a oferta será apresentada ao Brasil ainda este mês, e os primeiros temas da agenda comum já seriam discutidos na reunião de cúpula entre Brasil e União Européia marcada para o dia 4 de julho, em Lisboa, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente também é o convidado de honra de uma conferência sobre biocombustíveis nos dias 5 e 6 de julho, na sede da UE, em Bruxelas. Somente seis países têm uma relação de parceria estratégica com a União Européia: Rússia, Índia, China (os outros três integrantes do chamado BRIC), Estados Unidos, Canadá e África do Sul. O embaixador destacou que o estoque de investimento europeu no Brasil é de 80 bilhões de euros, maior do que a soma dos outros BRICs. Além disso, a União Européia responde por 22% do comércio externo brasileiro – embora o Brasil seja responsável por apenas 1,8% do comércio do bloco. "Existe um grande potencial de investimento", afirmou Pacheco. |
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