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Atualizado às: 15 de maio, 2007 - 10h17 GMT (07h17 Brasília)
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Vinhos do Nordeste 'desafiam dogmas e ganham espaço', diz NYT
Jornais
Com tecnologia e irrigação, o vale do São Francisco, no nordeste brasileiro, está se transformando em um “improvável” centro de produção de vinhos fora do eixo tradicional dos produtores, segundo relata reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário americano The New York Times.

Segundo o jornal, vinicultores tradicionais vêm cada vez mais investindo na produção de vinhos de “nova latitude” em países em desenvolvimento, apostando principalmente no crescimento dos mercados consumidores internos.

“Ao fazer isso, essas companhias estão desafiando o dogma de séculos de que a vinicultura está relacionada ao 'terroir', a crença de que um vinho reflete a área onde as uvas são cultivadas, e a climas temperados”, diz a reportagem.

O New York Times observa que “os vinicultores de nova latitude ainda são relativamente desconhecidos comparados com as tradicionais forças européias como França, Alemanha, Itália, Espanha e Portugal, e ficam para trás até mesmo entre os chamados produtores do ‘Novo Mundo’, como Argentina, Austrália, Chile, Nova Zelândia, África do Sul e Estados Unidos”.

"Ainda assim, o vinho está se tornando mais popular em países como Brasil, China e Índia por causa de uma crescente classe média e da publicidade sobre seus benefícios à saúde”, afirma o jornal.

A reportagem cita como exemplo os investimentos no Brasil feitos pela vinícola portuguesa Dão Sul, que comprou 5 mil acres no vale do São Francisco em 2003 e investiu US$ 4 milhões em maquinário ultra-moderno.

“Os 25 diferentes tipos de vinhos tintos, brancos e espumantes que a companhia produz já representam 15% de toda a produção da companhia”, relata o texto.

Segundo o jornal, “a decisão de investir no Brasil foi baseada em diversos fatores, incluindo a terra e a mão de obra baratas e técnicas avançadas de refrigeração”.

“Uma vantagem que a região compartilha com muitas das nações produtoras de vinhos de nova latitude é o sol por todo o ano. A região tem 12 horas de sol por dia, e em contraste com Bordeaux, que tem 12 horas de sol somente no verão, os céus estão sem nuvens 300 dias ao ano. Os vinicultores podem colher o ano todo, reduzindo assim consideravelmente seus custos de produção”, explica a reportagem.

Outros destaques da imprensa internacional

Outro diário americano, o Christian Science Monitor, relata em reportagem publicada nesta terça-feira as campanhas contra a violência no Rio de Janeiro organizadas pelo cantor Tico Santa Cruz, da banda de rock Detonautas.

“Astros de rock são normalmente pessoas bravas, e Tico Santa Cruz não é exceção. Mas o tatuado cantor tem muito pelo que ficar bravo”, afirma a reportagem, relatando alguns dos números da violência na cidade.

“O que mais perturba Santa Cruz é que tão pouca gente pareça se abalar. Então agora ele canaliza sua frustração tirando os brasileiros de sua apatia com formas de protesto altamente visíveis e criativas”, diz o jornal.

Segundo a reportagem, “ele já estava tentando despertar a juventude notoriamente despolitizada do Rio de Janeiro quando seu companheiro de banda Rodrigo Netto foi assassinado durante uma tentativa de assalto em junho do ano passado”.

“O assassinato de Netto o enraiveceu tanto que ele decidiu dedicar ainda mais tempo para conscientização. Desde então, Santa Cruz, muitas vezes com o apoio de seus companheiros de banda ou de amigos poetas, artistas e músicos, dá entrevistas, prega às multidões em shows de rock, e faz apresentações em escolas e universidades”, relata o texto.

O jornal diz que Santa Cruz está “consciente da apatia da população e sabe que precisa ganhar o apoio desse grupo”. “E com uma resolução de ferro, ele promete continuar reclamando, exigindo e instigando. Não há, segundo ele, nenhuma outra opção. Para ele ou para o Rio”, conclui o jornal.

Papa no Brasil

A visita do papa Bento 16 ao Brasil na semana passada continuou a ganhar algum destaque na imprensa internacional nesta terça-feira. O diário argentino La Nación, que na véspera havia comentado a falta de público nos eventos com a presença do pontífice, relata que seus discursos foram elogiados pelos bispos que participam da Celam (Conferência do Episcopado Latino-americano e do Caribe), em Aparecida.

O jornal destaca as declarações de dois bispos em uma entrevista coletiva durante a conferência na qual eles afirmam que o discurso do papa, que abriu o encontro, “não são uma camisa de força, mas um convite a repensar e reordenar os aspectos fundamentais da vida da Igreja Católica”.

O espanhol El País afirma que “o papa ignorou no Brasil os ideólogos da teologia da libertação”, observando que “em seus discursos, o papa Ratzinger não fez praticamente alusões diretas à Teologia da Libertação, ainda que tenha feito alusões indiretas, ao dizer que a Igreja não deve seguir ideologias”.

Outro jornal espanhol, o ABC, defende em editorial o discurso feito pelo papa na abertura da Celam, no domingo, dizendo que “ele fez uma defesa objetiva da missão que países como Espanha e Portugal naquelas terras frente ao populismo indigenista que tenta contrapôr a mensagem cristã a certas crenças animistas de natureza contrária ao humanismo”.

O editorial diz ainda que foi “importante” sua advertência contra o autoritarismo, afirmando que “Bento 16 levantou no Brasil a necessidade inescapável de que o respeito aos direitos humanos presida o futuro de uma parte do mundo que ainda padece de resíduos da Guerra Fria, como o castrismo, que por sua vez alimenta novos populismos encabeçado por Hugo Chávez e seus seguidores”.

O discurso do papa é alvo de chacota no texto de um comentarista do jornal britânico The Independent. Para o colunista Thomas Sutcliffe, o papa deveria ter corado ao pregar contra “os governos autoritários” que estão “presos a ideologias ultrapassadas”.

“Eu achava que ‘ideologias ultrapassadas’ – resistentes à razão – eram parte do ponto da Igreja Católica. De fato, enquanto esteve no Brasil o papa reafirmou a danosa equivalência moral entre a contracepção e o aborto e também canonizou uma divindade local, Frei Galvão, popular por causa de orações escritas em papel de arroz que podem ser engolidas”, observa Sutcliffe.

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