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Atualizado às: 02 de fevereiro, 2007 - 11h01 GMT (09h01 Brasília)
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Vinhos de região gaúcha ganham selo de qualidade na Europa

Degustação de vinhos
Os vinhos brasileiros têm pouca participação no mercado da UE
Os vinhos produzidos na região do Vale do Vinhedos, no Rio Grande do Sul, acabam de ganhar uma força extra para competir no disputado mercado europeu: são os primeiros de fora da União Européia (UE) a ter sua denominação de origem reconhecida pelo bloco.

O reconhecimento foi formalizado esta semana e apenas os vinhos de uma outra região do mundo - Napa Valley, na Califórnia - também tiveram o pedido aceito.

Na prática, isso quer dizer que os vinicultores do Vale do Vinhedos podem estampar no rótulo de seus produtos todas as informações relativas a cada tipo de vinho, como o ano de fabricação e a variedade da uva. É essa identidade que diferencia um vinho de qualidade de um simples vinho de mesa.

“As características de cada vinho variam de acordo com a região onde é plantada a uva e a tecnologia empregada na produção. O conceito de denominação de origem especifica e valoriza essas peculiaridades”, diz Jaime Milan, diretor executivo da Associação dos Produtores do Vale dos Vinhedos (Aprovale), que representa as 21 vinícolas que levam a denominação de origem da região.

“Ganhamos qualificação de mercado. Passamos de um vinho de faixa baixa para competir com os vinhos de faixa mais alta, e até poderemos fazer frente a vinhos como os Rioja e os Bordeaux”, afirma.

Crescimento

Os vinhos brasileiros ainda têm pouca participação no mercado europeu.

Fecharam 2006 com um total de 926 mil euros vendidos. Mas o diretor da Aprovale se diz ambicioso diante das perspectivas.

Milan acredita que o selo de denominação de origem ajudará a incrementar em pelo menos 50% o valor final dos vinhos produzidos nessa região que abrange 81 quilômetros quadrados de três municípios do nordeste do Rio Grande do Sul – Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul.

“(Nas vendas) para a UE estimamos um crescimento de entre três a quatro vezes, em uma perspectiva de cinco anos. E o reconhecimento europeu nos dará prestígio no mercado interno também. Os brasileiros valorizam muito os vinhos chilenos e argentinos justamente pelo reconhecimento que têm no exterior.”

Critérios

Apesar de seu ineditismo, a decisão européia não é exatamente um privilégio outorgardo a gaúchos e californianos. Também não depende da qualidade dos vinhos em questão.

“Os critérios para reconhecimento de uma indicação geográfica pela UE são objetivos”, explica Marco Túlio Cabral, da Missão do Brasil para a UE.

“Relacionam-se à existência de uma região bem delimitada e com um nome que a distinga de outras regiões, como acontece com Champagne, Bordeaux, Porto e Vale dos Vinhedos, e também com os mecanismos institucionais que asseguram a qualidade e a uniformidade da produção de uma indicação geográfica a ser reconhecida”.

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