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Atualizado às: 25 de agosto, 2004 - 08h43 GMT (05h43 Brasília)
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Brasil protesta contra vinho argentino 'de baixa qualidade'

Vinho
Os vinhos argentinos já são os estrangeiros mais vendidos no país
O governo brasileiro queixou-se formalmente contra a qualidade do vinho argentino que está sendo exportado para o Brasil e pediu às autoridades da Argentina uma revisão da lista desses produtos.

A queixa brasileira ocorre num momento em que as vendas de vinhos argentinos para o Brasil crescem fortemente, devendo quase triplicar neste ano frente ao ano passado. As informações foram dadas pelo secretário executivo do Ministério da Indústria e Comércio Exterior, Márcio Fortes, em entrevista na embaixada do Brasil, na capital argentina.

"Estão chegando aos supermercados brasileiros vinhos argentinos baratos e de baixa qualidade. Estamos fazendo levantamento sobre essas mercadorias e pedimos ao governo argentino que verifique se são reconhecidos pelo Institituto Nacional de Vitivinicultura deles", disse Márcio Fortes. "Não estamos reclamando de quantidade, mas sim de qualidade."

Segundo ele, os preços são de R$ 3,20 a R$ 4 a garrafa e acabam competindo com vinhos fabricados no Brasil. "Eu quero sim que o vinho argentino continue entrando com força no nosso mercado, mas desde que tenha qualidade", insistiu o principal negociador brasileiro em questões comerciais com os países vizinhos.

No ano passado, a Argentina exportou 5,7 milhões de litros de vinho para o Brasil. Neste ano, de acordo com Márcio Fortes, esse total saltará para 15 milhões de litros.

Guerra comercial

A reclamação ocorre quando os dois países tentam acertar os ponteiros nos itens que provocaram a última guerra comercial, há cerca de um mês, envolvendo geladeiras, máquinas de lavar roupa e fogões.

Na próxima terça-feira, empresários dos dois países se reúnem em Buenos Aires para discutir detalhes do entendimento sobre a venda de máquinas de lavar roupa brasileiras para a Argentina.

Márcio Fortes admitiu que as mercadorias estão paradas na alfândega argentina esperando a liberação das autoridades do país, já que desde julho, na época da disputa comercial, ficou estabelecida a exigência burocrática da chamada licença não automática, que tornou mais lenta a entrada do produto no país.

No caso das geladeiras, tinha ficado acertado, na última reunião em julho, que os fabricantes brasileiros limitariam suas vendas a 42.360 no total para os meses de agosto e setembro. Este mês, porém, a venda ficará em torno dos 18 mil e, portanto, abaixo dos cerca de 21 mil estipulados para o período. Nesta terça-feira, foi constituída uma comissao bilateral específica para tratar do assunto.

A lista de diferenças inclui o acordo automotivo, que está sendo revisado e voltará a ser discutido nesta quarta e nesta quinta por fabricantes e representantes dos dois governos dos dois principais sócios do Mercosul, Brasil e Argentina.

Sandálias

Os argentinos temem que a chegada do verão leve à multiplicação de importações de sandálias brasileiras, especialmente os chinelos de borracha, como, segundo eles, ocorreu no ano passado.

No item sapatos, não existe uma meta firmada de pares a serem vendidos para a Argentina, mas um acordo informal de que o número não superaria os 12 milhões de pares anuais.

Os fabricantes argentinos especulam que, com a chegada do verão, esse número saltaria para 18 milhões.

Para evitar nova disputa comercial, os dois lados comprometeram-se a fazer um levantamento, por categoria, do que está sendo exportado para a Argentina.

Assim como no caso dos eletrodomésticos, Márcio Fortes avisou que os brasileiros estarão atentos para a capacidade da indústria argentina para ver se os produtos não exportados pelo Brasil acabarão sendo comprados de outros países, de fora do Mercosul, o que o país diz que "não permitirá".

Por essas discussões comerciais e outras, nesta terça-feira, "dia das exportações" na Argentina, o presidente da Câmara de Exportadores, Enrique Mantilla, afirmou que, para os empresários, ainda falta muito para que exista o Mercosul ideal.

"O Mercosul é hoje uma promessa não cumprida. Uma união aduaneira que foi batizada de imperfeita, mas que é, na realidade, um acordo que nos últimos dez anos não melhorou a produtividade", reclamou.

Na entrevista, Márcio Fortes fez questão de lembrar que a recuperação da economia brasileira está reabrindo espaço para produtos argentinos, com aumento na compra de trigo, derivados de petróleo e automóveis produzidos no país vizinho.

Ele lembrou que as exportações argentinas para o Brasil subiram 26% entre janeiro e julho deste ano frente ao mesmo período do ano passado.

Nos últimos meses, a balança comercial tem sido favorável ao Brasil, motivo que provocou a recente guerra comercial.

As vinhas da ira
Supremacia do vinho argentino causa protestos no Brasil.
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