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Atualizado às: 03 de maio, 2007 - 19h54 GMT (16h54 Brasília)
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Iraque recebe promessa de US$ 30 bi para reconstrução

Primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki
Premiê Maliki recebeu promessa de amortização de dívidas
Mais de US$ 30 bilhões de ajuda financeira e amortização de dívida foram oferecidos nesta quinta-feira ao Iraque, durante uma conferência no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh, na península do Sinai, de acordo com anúncio feito no fim do primeiro dia de reuniões pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon.

"Vários países fizeram compromissos concretos sob o Pacto (Internacional com o Iraque) hoje. Houve grande apoio particularmente aos termos do Clube de Paris sobre a dívida do Iraque", disse o sul-coreano, explicando que o montante de US$ 30 bilhões incluía promessas feitas por Bulgária, China, Arábia Saudita, Espanha, Dinamarca e Coréia do Norte.

O Clube de Paris é um grupo informal de autoridades financeiras de 19 dos países mais ricos do mundo que fornece serviços no setor, como reestruturação ou amortização de dívidas. O Clube decidiu cancelar as dívidas do Iraque com seus membros em 80%.

Representantes de cerca de 50 países participaram das reuniões do primeiro dia de conferência, que busca firmar parcerias para estabilizar o Iraque por meio de compromissos da comunidade internacional, de um lado, e o cumprimento de exigências feitas ao governo iraquiano, de outro.

Violência

Vários países pediram às autoridades iraquianas que trabalhem mais para combater o aumento da violência sectária no país, acabar com a corrupção e chegar a uma reconciliação nacional.

O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, disse estar confiante de que seu governo é capaz de acabar com a violência.

"Eu posso dizer com uma grande certeza que sim, nós vamos ser capazes, se Deus quiser, de assumir o controle total da situação de segurança no Iraque", ressaltando que é preciso ter em mente que este controle depende de vários fatores, incluindo o apoio prometido ao Iraque neste pacto internacional.

"O Iraque precisa de apoio político e econômico, além de cooperação na nossa luta contra o terrorismo. O terrorismo não é um fenômeno iraquiano, é uma tendência que se estende para além de nossas fronteiras e outras partes da região", afirmou Al-Maliki.

Em entrevista à BBC Brasil, o porta-voz do Iraque, Ali al-Dbagh, disse que é exatamente o perigo de a violência se espalhar pelo Oriente Médio que faz esta conferência diferente de outras, realizadas anteriormente e que não produziram resultados concretos.

"Acreditamos que agora existe uma compreensão de que a situação está ameaçando todos os países da região e isto deve fazer do Iraque uma responsabilidade das outras nações. Precisamos de medidas concretas e não apenas boa-vontade. Chega de boa-vontade", disse Al-Dbagh.

Al-Dbagh acrescentou que os países têm de parar de achar que estão em um "porto seguro e livres do terrorismo".

EUA e Irã

Nesta sexta-feira, a conferência entra em seu último dia, em que questões regionais serão discutidas com um grupo menor de países: os vizinhos do Iraque, o Egito, o Barein, os cinco membros-permanentes do Conselho de Segurança da ONU e os integrantes do G8 (as sete nações mais industrializadas do mundo e a Rússia).

Segundo Al-Dbagh, será o momento de discutir formas de diminuir a violência no Iraque, ajudar as centenas de milhares de refugiados que deixaram o país durante o conflito dos quatro últimos anos e de se chegar a uma reconciliação nacional.

Também existe a expectativa de que nesta sexta-feira a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, se encontre com o ministro do Exterior do Irã, Manouchehr Mottaki, o que seria um dos contatos diplomáticos de mais alto nível político entre os dois países desde que os Estados Unidos suspenderam as relações diplomáticas com o Irã, em 1980.

Nesta quinta-feira outra reunião aguardada, de Rice com o ministro do Exterior da Síria, Walid al-Mualem, se concretizou. Os dois conversaram durante cerca de meia hora, no que foi o encontro das mais altas autoridades de EUA e Síria desde fevereiro de 2005, quando o ex-primeiro-ministro libanês, Rafik Hariri, foi assassinado.

Os Estados Unidos acusam Síria e Irã de promover a violência no Iraque ao não evitar com que armas e militantes cruzem as fronteiras dos dois países com o Iraque.

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