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Reunião sobre Iraque não mudará violência, dizem analistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os tradicionais freqüentadores do balneário de Sharm el-Sheikh, na península do Sinai, no Egito, costumam pensar apenas em praia, céu azul e sol, mas nos próximos dois dias reuniões em salas fechadas, com luz artificial e ar-condicionado devem ser o foco das atenções – pelo menos para as centenas de jornalistas que chegaram à região para acompanhar a conferência sobre o Iraque. Nesta quinta e sexta-feira, representantes de países vizinhos do Iraque, dos cinco integrantes do Conselho de Segurança da ONU, do G8, além do Egito e do Barein, tentam firmar uma parceria permanente com o Iraque para ajudar nos esforços de reconstrução do país, incluindo a melhoria da segurança na região. Analistas ouvidos pela BBC Brasil não acreditam, no entanto, que o encontro provoque mudanças efetivas no país. O iraquiano Mustafa al-Ani, consultor-sênior sobre Iraque e diretor de Segurança do Gulf Research Center, nos Emirados Árabes Unidos, lembra que o encontro desta semana é uma continuação de outras reuniões internacionais para lidar com o problema iraquiano, todas com poucos resultados. "Eu não sou otimista. Não acredito que este tipo de encontro possa resolver o problema do Iraque, que, aliás, é do Iraque e que precisa ser resolvido internamente. Vão produzir um documento, pedindo mais civilidade, integração e unidade no país, mas realmente não sei como estes objetivos nobres serão implementados na prática", diz Al-Ani. Conversas bilaterais "O encontro coincide com uma fase de grande fracasso no Iraque, em um momento em que todos os países árabes e potências internacionais sentem que o Iraque é um grande problema e que eles têm de encontrar uma solução." "Esta também é a primeira reunião de representantes de nível ministerial em que os Estados Unidos vão estar representados por sua secretária de Estado", ressaltou Al-Ani. O diretor do Departamento de Ciência Política da Universidade Americana do Cairo, Walid Kazziha, também acredita que a reunião não gere mudanças no Iraque e, diferentemente de al-Ani, discorda que a situação no país tenha piorado a ponto de provocar mudanças de atitude dos países vizinhos. "A situação no Iraque não é muito diferente do que a existente durante outras conferências. Aliás, ela ainda vai piorar antes de melhorar. Portanto, não existem elementos novos para ser discutidos", afirmou Kazziha. Porém, na opinião do cientista político, um possível encontro entre a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, com os ministros do Exterior do Irã e da Síria pode beneficiar o Iraque futuramente. Nos últimos dias, cresceram as expectativas de um possível encontro de Rice com o ministro do Exterior do Irã, Manouchehr Mottaki, e com o ministro do Exterior sírio, Walid al-Moualem. Caso a reunião entre Rice e Mottaki ocorra, seria uma das conversas de mais alto nível político entre Estados Unidos e Irã desde que o governo americano suspendeu relações diplomáticas com o país, em 1980. 'Grandes mudanças' "O contato dos Estados Unidos com seus dois adversários na região pode abrir caminho para mudanças no Iraque, porque o Irã e a Síria poderiam mostrar uma disposição maior em pacificar a região", explicou Kazziha. Na opinião do analista, nos dois próximos dias podem ser feitas até "grandes mudanças" nas relações dos Estados Unidos com o Irã e a Síria. "Eles já se encontraram em Bagdá no mês passado, portanto, este não seria o primeiro encontro e grandes mudanças podem ocorrer a qualquer momento", afirmou Kazziha. Al-Ani vê a conferência no Egito como uma boa oportunidade para Estados Unidos e Irã desenvolverem sua relação, mas ressalta que, caso a reunião ocorra, ela pode acabar "jogando a questão do Iraque para segundo plano". "Algum tipo de melhora na relação poderia ocorrer neste encontro, mas realmente não deveríamos considerar isto um sinal de saúde para o Iraque." |
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