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Lula e Chávez afinam discurso sobre etanol, mas divergem sobre Banco do Sul | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Venezuela, Hugo Chávez, defenderam a produção de biocombustíveis na América do Sul nesta terça-feira, mas se mostraram de lados diferentes sobre a criação do Banco do Sul. Os dois chefes de Estado – junto com autoridades dos 12 países da América do Sul – assinaram uma declaração conjunta durante a 1ª Cúpula Energética Sul-americana “expressando seu reconhecimento do potencial dos biocombustíveis para diversificar a matriz sul-americana”. “Neste sentido, conjugarão esforços para trocar experiências na região, com o objetivo de chegar à eficiência máxima no emprego destas fontes, de forma que promova o desenvolvimento social, tecnológico, agrícola e produtivo”, afirma a Declaração de Margarita, como é chamado o texto assinado na ilha caribenha Isla de Margarita. Lula negou qualquer mal-estar com Chávez sobre as críticas recentes do venezuelano ao uso de alimentos para produção de combustível. Posições diferentes Durante a elaboração do texto, o Brasil manteve uma posição diferente da Venezuela e da Bolívia na questão do etanol, informaram fontes da Presidência brasileira. Bolívia e Venezuela queriam incluir na declaração um item que defendesse a compatibilidade da produção de biocombustíveis com as preocupações de produção agrícola e preservação do meio ambiente. Segundo o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, o texto foi trocado para incluir todas as formas de combustível, não apenas o etanol. “Os países querem assinalar a importância de assegurar a compatibilidade entre a produção de todas as fontes de energia, a produção agrícola, a preservação do meio ambiente e a promoção e defesa das condições sociais e trabalhistas dignas, assegurando o papel da América do Sul como região produtora eficiente de energia.” Substituição Após a Cúpula, Lula ressaltou que a produção de etanol não pode substituir a produção de alimentos, uma das críticas que Chávez fizera ao projeto de biocombustíveis. “Obviamente que não existe nenhuma possibilidade da competição entre a produção de alimento e a produção de biocombustível. Ou seja, ninguém vai deixar de plantar feijão, ninguém vai deixar de plantar arroz para plantar biocombustível”, disse Lula à imprensa. “O problema do alimento no mundo não é a falta de produção de alimento, é a falta de renda para as pessoas comprarem alimento.” Chávez demonstrou interesse nos biocombustíveis e defendeu que todas as refinarias de petróleo do continente tenham em suas plantas uma usina para produção de etanol, que seria usado como aditivo à gasolina, em substituição ao chumbo. “Isto implica em milhões de hectares de (plantações de) cana ou de mamona para oxigenar o combustível”, disse Chávez. Ele disse que mesmo nas refinarias venezuelanas, já estão sendo construídas plantas de etanol. O venezuelano disse que o projeto brasileiro “não tem nada a ver com a loucura americana de substituir gasolina por biocombustíveis” e anunciou que a Venezuela vai retomar a compra do etanol brasileiro. Banco do Sul Lula disse que a criação do Banco do Sul – uma espécie de resposta sul-americana ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Mundial, proposta por Chávez e pelo presidente argentino, Néstor Kirchner – não foi discutida pelos presidentes na Cúpula, mas afirmou que o Brasil quer participar da concepção do projeto desde o começo. “É preciso definir antes de qualquer coisa o que é o Banco do Sul, para que ele serve. Ele é um banco com a mesma finalidade do FMI, do Banco Mundial, do BNDES? Primeiro precisamos definir para que queremos o banco, para depois saber se compensa entrar ou não”, disse Lula. Chávez disse que os países sul-americanos vão continuar discutindo o assunto, mas que “não se trata de relançar o programa”. Em Washington, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, havia dito no sábado que era preciso “rasgar” o projeto atual e começar novamente. Outra proposta de Chávez – a criação de uma espécie de Opep dos produtores de gás natural - também não foi discutida pelos presidentes da Cúpula, segundo Lula. Durante a 1ª Cúpula Energética Sul-Americana, os presidentes concordaram com o projeto de Chávez de mudar o nome da Comunidade Sul-americana de Nações (Casa) para União de Nações Sul-americanas (Unasur, na sigla em espanhol). Também decidiram criar uma secretaria permanente na capital equatoriana, Quito, já que a entidade – lançada há mais de dois anos – ainda não tinha uma sede definida. Pela manhã, o presidente Lula teve um encontro reservado com o presidente boliviano Evo Morales. Lula saiu da reunião irritado com Morales, mas fontes do governo não souberam dizer o motivo da irritação. |
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