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Desastre americano reforça papel saudita no Oriente Médio

O rei Abdullah
O rei Abdullah condenou a intervenção americana no Iraque como "ocupação estrangeira ilegal"
Uma boa medida do desastre da política externa dos EUA no Oriente Médio e do vácuo diplomático na região é o redobrado papel da Arábia Saudita.

Claro que com sua fortuna petrolífera e posição estratégica, o reino saudita sempre tem relevo, mas sua opção não costumava ser por uma atuação direta e muito visível. Mas hoje não restam muitas alternativas e o governo Bush saúda a intervenção de Riad com alívio mas também desconforto e perplexidade.

De certa forma, a ambivalência também é a marca dos sauditas. Basta ver suas mais recentes iniciativas.

A Arábia Saudita é o mais próximo aliado árabe de Washington. No entanto, na semana passada, na reunião de cúpula árabe realizada em Riad, o rei Abdullah condenou a intervenção americana no Iraque como "ocupação estrangeira ilegal".

Para ter legitimidade regional, o monarca de 84 anos foi levado a fazer tal condenação diante do generalizado descrédito americano.

Os sauditas, que se consideram líderes dos sunitas no mundo árabe, porém, também têm feito advertências nos bastidores nos últimos meses contra uma retirada apressada dos americanos do Iraque, apesar do coro mais ruidoso dentro dos EUA, com o argumento de que isto levará ao massacre de sunitas no país pela maioria xiita.

Desenvoltura diplomática

É este contexto de rivalidades entre sunitas e xiitas que ajuda a explicar a ansiedade e desenvoltura diplomática dos sauditas no mundo árabe, depois de um período de retraimento.

Terra natal de Osama bin Laden e de 15 dos 19 terroristas suicidas nos atentados de 11 de setembro de 2001, o país inclusive foi alvo de investidas de neoconservadores americanos.

Houve pressão por um distanciamento de Riad, que representava uma ordem geopolítica autocrática, anacrônica e falida no Oriente Médio.

Um novo Iraque pós-Saddam Hussein, moderno e democrático, era visto pelos neoconservadores como a ponta-de-lança dos interesses americanos na região.

O projeto neoconservador parece que foi à bancarrota e os préstimos da velha Arábia Saudita são necessários como contraponto ao avanço de um bloco xiita liderado pelo Irã.

Não é à toa que a diplomacia americana, surpreendida pela condenação do rei Abdullah à "ocupação ilegal" do Iraque, não fez carnaval.

A prioridade é contar com os sauditas para deter a influência de Irã e não mais cobrar reformas dentro do regime autocrático.

Estilo próprio

O reino saudita assume a missão, mas nos seus termos. E não se trata apenas de comunicados antiamericanos em reuniões de cúpula.

Para o desalento de Washington, os sauditas costuraram o acordo para a formação do governo de coalizão entre o presidente palestino Mahmoud Abbas, visto pelos americanos como moderado, e o grupo islâmico Hamas, que tanto os EUA como Israel consideram uma organização terrorista.

A desenvoltura saudita também está presente no Líbano, até agora sem muito sucesso, para cicatrizar as feridas abertas entre o governo pró-ocidental e a oposição próxima dos sírios e iranianos.

Os sauditas, aliás, têm seu próprio estilo para lidar com as ambições de Teerã.

Há contatos regulares para aconselhar cautela, mas também advertências de que a busca de hegemonia pelos iranianos pode levar a uma ação militar americana, com o beneplácito de Riad.

Dependência mútua

A relação Washington-Riad é de dependência mútua. O rei Abdullah precisa das pressões americanas sobre Israel para impulsionar negociações na questão palestina.

Os sauditas reativaram o plano de 2002 que oferece reconhecimento de Israel pelos países árabes em troca da devolução de todos os territórios ocupados na guerra de 1967.

O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert disse que o documento pode ser a base de negociações, acenou com a idéia de uma reunião de cúpula no Oriente Médio e mencionou uma "mudança revolucionária" na atitude de alguns países árabes, como a Arábia Saudita, em relação a Israel.

O problema é que Olmert, desde o fiasco da invasão do Líbano no ano passado e uma pilha de escândalos domésticos, está em posição ainda mais fraca do que a de Bush.

Quem diria, mas o velho autocrata Abdullah hoje de fato é um rei no xadrez geopolítico do Oriente Médio. Pena que seja ele e ainda por cima sem lances de outras peças decisivas.

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