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Atualizado às: 26 de março, 2007 - 10h14 GMT (07h14 Brasília)
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Brasileiros deixam embaixada no Congo após 4 dias confinados
Congoleses observam destruição
Congoleses observam destruição na capital, Kinshasa
Os brasileiros que estavam sitiados havia quatro dias na embaixada na capital da República Democrática do Congo, Kinshasa, já foram liberados para deixar o local.

O grupo – composto de funcionários, militares e membros de uma delegação cultural em visita ao país - precisou ficar abrigado na embaixada em meio aos confrontos entre tropas do governo e rebeldes, que começaram na quinta-feira.

A embaixada fica localizada a cem metros do escritório do líder rebelde Jean-Pierre Bemba e estava no meio do fogo cruzado durante os dias de violência mais intensa. O embaixador Flávio Roberto Bonzanini disse à BBC Brasil que um dos veículos da embaixada chegou a ser atingido por tiros de Kalashnikov.

Bonzanini disse que a situação já está praticamente normal depois que as forças oficiais retomaram o controle da maior parte da capital, no sábado.

“Hoje nós percorremos a cidade pela manhã e a situação já está quase normal, as pessoas voltaram ao trabalho, há muita gente nas ruas e o trânsito está quase normalizado. A situação do ponto de vista militar e de ordem pública já está superada”, disse.

“Foi um grande susto para todos nós aqui”, afirmou o embaixador.

No domingo, os funcionários congoleses já haviam sido liberados, mas os brasileiros decidiram ficar até esta segunda-feira “por uma questão de prudência”.

“Eu estou aqui na República Democrática do Congo há um ano e meio e essa foi sem dúvida a pior situação que já presenciei no país”, disse Bonzanini.

Segundo o embaixador, 52 brasileiros moram na capital Kinshasa e outros 12 no resto do país. Nenhum brasileiro ficou ferido durante a onda de violência.

Mortos

Os confrontos deixaram pelo menos 150 pessoas mortas e mais de 80 feridas, de acordo com a Caritas (agência humanitária da Igreja Católica).

A violência estourou na quinta-feira, com choques entre forças do governo e milícias leais a Jean-Pierre Bemba, que perdeu as eleições presidenciais do ano passado e que, segundo o governo, estaria tentando derrubar o presidente Joseph Kabila.

O candidato derrotado, contra quem foi expedido um mandado de prisão, refugiou-se na embaixada da África do Sul. Ele nega estar planejando uma operação militar contra Kabila.

A eleição do ano passado - o primeiro pleito livre em 40 anos na ex-colônia belga - transcorreu pacificamente, despertando esperança de que os anos de conflito e caos administrativo pudessem chegar ao fim.

Kabila obteve 58% dos votos e Bemba, 42%, nas eleições de outubro passado.

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