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Atualizado às: 15 de março, 2007 - 10h34 GMT (07h34 Brasília)
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Entidade de bombeiros dos EUA faz críticas a Giuliani

Cartaz de fórum do sindicato dos bombeiros (Foto BBC Brasil/Bruno Garcez)
Sindicato dos bombeiros realizou fórum com presidenciáveis
O ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani ganhou fama mundial após os ataques de 11 de setembro de 2001 e pela suposta determinação com a qual reagiu aos atentados.

Na ocasião, Giuliani conferiu de perto o local dos ataques, ostentou um boné com a sigla do Corpo de Bombeiros de Nova York e, para muitos nos Estados Unidos, fez justiça ao mesmo status de herói conferido aos bombeiros nova-iorquinos.

Mas para o principal sindicato que representa os bombeiros americanos, o ex-prefeito - e hoje um dos pré-candidatos favoritos entre os republicanos para concorrer à sucessão de Bush - teria tratado os mortos nos ataques como ''lixo''. É o que diz o presidente da Associação Internacional de Bombeiros (IAFF, na sigla em inglês), em uma carta dirigida a membros da entidade.

A organização, que reúne 280 mil integrantes nos Estados Unidos e no Canadá, chegou até a cogitar não convidar o ex-prefeito para o fórum com 11 presidenciáveis republicanos e democratas que realizou nesta quarta-feira, mas acabou voltando atrás.

De acordo com o sindicato, após confirmar sua participação em mais de uma ocasião, o prefeito acabou não participando do fórum, alegando que ele iria colidir com outros eventos já programados de sua campanha.

Vidas poupadas

Harold Schaitberger, o presidente da entidade, disse à BBC Brasil que vidas de diversos civis e bombeiros de Nova York poderiam ter sido poupadas se, em 2001, Giuliani tivesse fornecido equipamentos de rádio para os bombeiros.

''O prefeito teve a oportunidade de seguir as recomendações de uma comissão elaborada pela própria prefeitura, que levantou que um dos principais problemas do primeiro atentado contra o World Trade Center, em 1993, foi a incapacidade dos bombeiros de se comunicar entre si.''

''Uma das maiores deficiências de Nova York em 2001 foi a incapacidade de comunicação via rádio antes de os aviões atingirem as duas torres. Não resta dúvida que 121 de nossos membros e inúmeros civis nunca tiveram a chance de atender aos chamados para que evacuassem a primeira torre porque seus rádios não estavam funcionando'', acrescentou.

Carta

Na carta enviada aos participantes da organização, o presidente da IAFF, Harold Schaitberger, critica de forma dura a decisão de Giuliani de reduzir o número de bombeiros envolvidos nas buscas no local que abrigava as torres gêmeas do World Trade Center de 300 para 25, em novembro de 2001.

Segundo o documento, ''as ações de Giuliani significaram que os bombeiros e cidadãos que padeceram ou permaneceriam enterrados para sempre, sem uma conclusão para as suas famílias, ou seriam retirados como lixo''.

Bombeiros
Bombeiros fizeram críticas a Giuliani

A organização disse que lideranças de bombeiros nova-iorquinos tentaram se encontrar com o então prefeito para demovê-lo de ''promover esse tratamento desrespeitoso'', mas nunca foram recebidas por Giuliani.

Aplausos

Durante o fórum dos presidenciáveis em Washington, um dos momentos que mais gerou aplausos por parte dos bombeiros presentes foi quando a senadora e presidenciável democrata, Hillary Clinton, fez uma crítica velada a Giuliani.

A senadora pelo Estado de Nova York falou de iniciativas que tomou para tratar pessoas que teriam sido vítimas de doenças provocadas pelo contato com substâncias tóxicas presentes nos escombros do World Trade Center e criticou ''políticos que apareceram ao lado de vocês na hora de posar para fotos, mas desaparecem quando vocês precisam deles''.

Guerra do Iraque
 Mais de 70% dos integrantes apoiou a guerra. Eles vêm de uma cultura paramilitar, que diz que você tem de apoiar o comandante-em-chefe do país.
Harold Schaitberger

Os bombeiros entrevistados pela BBC Brasil disseram ter se entusiasmado com os discursos de Hillary Clinton e o do ex-senador democrata pela Carolina do Norte John Edwards, que tem feito pronunciamentos públicos em defesa dos sindicatos americanos.

''Se fosse para escolher um, optaria pelo senador Edwards. Gostei do fato de que ele propõe um plano de seguro saúde. É algo muito importante para qualquer trabalhador americano'', disse Chris Malter. Sobre Giuliani, limitou-se a dizer: ''Ele foi convidado, mas preferiu não comparecer''.

''Gostei de Edwards e de Clinton, que falaram de temas que são de nosso interesse, como seguro saúde, aposentadoria e negociação sindical'', disse Dan Givens.

Perfil

Segundo o presidente do sindicato, o perfil político dos integrantes da organização é misto. Schaitberger disse que a 42% dos membros da entidade é republicano, 40%, democrata e os demais se dizem independentes.

De acordo com Schaitberger, os membros da organização tendem a ser conservadores, patrióticos e a apoiar os militares americanos no exterior. Por esse motivo, disse, muitos foram contra a candidatura de John Kerry, que pregava a retirada das tropas do Iraque.

''Mais de 70% dos integrantes apoiou a guerra. Eles vêm de uma cultura paramilitar, que diz que você tem de apoiar o comandante-em-chefe do país.'' Mas, atualmente, o quadro mudou consideravelmente, afirma. ''Foi uma guinda total. Uma pesquisa recente mostrou que 75% querem a retirada do Iraque.''

Ziad Samir Jarrah Testamento
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