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Atualizado às: 04 de fevereiro, 2007 - 12h21 GMT (10h21 Brasília)
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'No Portuguese, Indiano, only English'

Nazes Afroz, editor-executivo da região Ásia-Pacífico para o Serviço Mundial da BBC
Nazes Afroz, editor-executivo da região Ásia-Pacífico do Serviço Mundial da BBC
Foi estranho estar no Brasil como um indiano. Com freqüência você é confundido com um brasileiro e as pessoas falam com você em português.

"No Portuguese, Indiano, only English" se transformou na frase mais usada lá.

As pessoas ficavam animadas ao descobrir um "indiano" no Brasil e então faziam uma tempestade de perguntas a respeito da Índia.

"Você fala inglês, mas qual seu principal idioma?" Esta foi a questão que enfrentei quase em todos os lugares. Tinha que explicar que lá não existe um único idioma que une a Índia.

As pessoas ficavam impressionadas ao saber que existem 23 idiomas oficiais - incluindo inglês - em 28 Estados e sete regiões federais. E os queixos caíam quando ouviam que existem cerca de 800 idiomas diferentes e mais de 2 mil dialetos.

Telugu

Leon é um adolescente de 15 anos muito curioso, filho da família Seleme que encontrei em Paraty.

Ele queria saber quantos dos 23 idiomas eu falava ou entendia. Quando ficou sabendo que eu conseguia falar apenas quatro, sua próxima pergunta foi: "Então, como você se comunica com as pessoas de outras partes (do país)?".

Tive que admitir que, algumas vezes, eu me sentia como em um país estrangeiro. Contei a ele minha experiência ao ficar em um remoto vilarejo no sul da Índia por dois dias em uma cobertura, quando não conseguia falar com ninguém.

Nenhum dos moradores do vilarejo falava os dois principais idiomas da Índia - hindi ou inglês - e eu não falava o idioma deles, telugu.

Até aí tudo bem. É fácil falar sobre quantos idiomas existem na Índia e quantos eu falava. Mas é muito difícil explicar o que mantém a Índia unida, especialmente quando você tem que falar a respeito de diferentes movimentos separatistas ou conflitos étnicos e religiosos que ocorreram desde a independência, em 1947.

O conflito na Caxemira é o mais conhecido dos brasileiros
O conflito na Caxemira é o mais conhecido dos brasileiros
Algumas pessoas que conheci sabiam a respeito do conflito na Caxemira. Mas nunca ouviram falar das insurgências separatistas que estão ocorrendo em vários estados do leste por mais de 50 anos.

Estas insurgências são compostas por conflitos étnicos, matando centenas de milhares de pessoas. Eles ficavam abismados quando ouviam que uma grande parte da região está sob controle militar e mesmo eu precisaria de um passe de viagem especial para viajar por lá.

Então, a questão é repetida: "O que mantém a Índia unida?". Disse a eles que não sabia se alguém tinha a resposta correta.

Alguns afirmam que o movimento de independência anticolonial contra os britânicos deu ao povo da Índia certa identidade comum.

Alguns pensam que a classe dominante de vários Estados tira benefício político e econômico de ser parte de uma entidade maior, portanto eles permanecem juntos como um país. Ou pode ser uma combinação dos dois.

Futebol

A outra grande questão que enfrentei foi a razão de ter escolhido vir ao Brasil e o quanto os indianos sabem a respeito do Brasil e da América Latina.

Uma resposta fácil é futebol. Indianos são torcedores fanáticos das seleções do Brasil e da Argentina.

As pessoas acenavam a cabeça, incrédulas, quando contei que em minha cidade, Calcutá, comemorava da mesma maneira que no Rio ou em Buenos Aires se Brasil ou Argentina ganhassem a Copa do Mundo.

Eles ficaram ainda mais impressionados quando falei que conhecia todos os deuses brasileiros do futebol - Pelé, Garrincha, Vavá, Didi, Tostão, Jairzinho, Carlos Alberto. Aprendi todos estes nomes com os jornais, na minha infância.

Gabriel Garcia Marquez foi traduzido para o bengali
Gabriel García Márquez foi traduzido para o bengali

Disse a eles que cresci com traduções para o bengali de Jorge Luis Borges, Pablo Neruda, Octávio Paz e Gabriel García Márquez e filmes de Miguel Littin.

Falei também que Simon Bolívar, Che Guevara, Salvador Allende foram parte de minha consciência política também. Contei que em minha adolescência, os jornais de Calcutá falavam sobre os desaparecimentos no Chile, Argentina e Brasil durante a década de 70.

Restaurante

Depois da viagem, liguei para alguns amigos em Calcutá. Falei sobre como o clima era tão parecido com a Índia, como as pessoas eram tranqüilas e relaxadas e sempre atrasadas - exatamente como na Índia.

Contei a eles como ioga é popular. Também contei como feijão vermelho, berinjela frita e salgado tinham um gosto exatamente igual à de alguns pratos que temos na Índia.

Falei sobre como pessoas de todas as idades, classes e raças se divertem com música e dança, o que é raro na Índia.

Quando encontrei alguns amigos de meu colega brasileiro Leonardo, eles fizeram uma oferta muito tentadora.

Eles disseram que eu poderia facilmente ir para o Rio, abrir um restaurante indiano e ficar por lá.

Aparentemente existe apenas um restaurante indiano no Rio. Meu sucesso nos negócios seria garantido, eles contaram.

Estou pensando se vale a pena correr este risco ou não!

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