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Atualizado às: 19 de junho, 2003 - Publicado às 20h18 GMT - 17h18 (Brasília)
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Índia quer dobrar comércio com Mercosul em 5 anos

Avião da Embraer
A Embraer já fez acordo para vender para a Índia

O acordo assinado nesta semana entre Mercosul e Índia deve dobrar o comércio entre as duas partes nos próximos cinco anos, para cerca de US$ 3 bilhões, segundo as previsões indianas.

"Sinto que nós viemos para a América Latina muito tarde", disse à BBC Brasil o vice-ministro de Indústria e Comércio da Índia, Shri Satyabrata Mookherjee, que participou da reunião de cúpula do Mercosul em Assunção. "Existe um grande potencial para o comércio com o Mercosul", completou.

O tipo de acordo assinado, chamado nos meios diplomáticos de acordo-quadro, é apenas uma carta de intenções. Ele deve dar origem a um acordo de preferência tarifária, que será assinado em agosto, estabelecendo uma lista de produtos de cada lado que terá tarifa menor de importação.

O Mercosul representa hoje apenas 0,83% do total das exportações indianas. A participação da Índia nas exportações do Mercosul é ainda menor: 0,7%.

Brasil

O comércio entre Índia e Brasil vem dobrando a cada ano desde 1999. O comércio entre os dois países representou US$ 1,2 bilhão no ano passado, com divisão praticamente equilibrada entre importações e exportações.

O Brasil exporta principalmente óleo de soja e de girassol e importa medicamentos, produtos farmacêuticos e tecidos de algodão.

Um grande contrato assinado no ano passado pela Embraer com a Jet Airways, a maior empresa de aviação regional da Índia, deve colocar também os aviões brasileiros na lista de importações indianas a partir de 2005, quando as aeronaves começam a ser entregues.

Outro acordo entre os dois países é de cooperação técnica para a mistura de álcool na gasolina.

Para os outros parceiros brasileiros no Mercosul, a Índia exporta também carros.

Apesar de as duas regiões terem produtos complementares, a distância dificulta os negócios.

"Tem que superar alguns obstáculos. A distância torna o transporte e o preço final de alguns produtos muito elevado", diz o vice-ministro, que abre mão do discurso diplomático e não esconde sua intenção com o acordo. "Queremos, é claro, aumentar nossas exportações para a América Latina."

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