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Atualizado às: 22 de janeiro, 2007 - 14h34 GMT (12h34 Brasília)
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Índia cresce com foco em serviços e tecnologia

Trabalhadores do setor de informática na Índia
Especialista aponta como uma vantagem que boa parte dos indianos fala inglês
A economia indiana vem crescendo a passos largos desde a virada do milênio, quando embarcou no desenvolvimento da indústria informática, com a produção de softwares, e quando começou a tirar proveito da terceirização de serviços de tecnologia, como telemarketing, para atender países ricos de língua inglesa.

Ao encontrar um nicho no processo de globalização, o país conseguiu garantir um crescimento médio do PIB de mais de 8% ao ano desde 2003.

Em 2006, estima-se que o investimento estrangeiro direto tenha chegado a US$ 9,5 bilhões de dólares (R$ 20,5 bilhões), um crescimento de 44% em comparação a 2004, segundo números da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento).

“Naturalmente temos a vantagem que é boa parte da população falar inglês”, reconhece o professor de economia Sugata Majit, do Centro para Estudos Sociais de Calcutá, na Índia.

“Mas acredito que as razões fundamentais e estratégicas de nosso crescimento têm sido a liberalização do mercado e os incentivos ao investimento estrangeiro direto”, acrescenta.

Segundo estudo do Centro da Sociedade Civil de Nova Déli, entre agosto de 1991 e novembro de 2004, a indústria de softwares e eletrônicos foi a principal recipiente de investimentos estrangeiros, arrebatando 15,09% de todo o capital aportado.

Agricultura e Manufaturas

Diferentemente da China, a manufatura barata para exportação não é o carro-chefe da economia indiana e o país não acumula superávit na balança comercial.

A Índia tem um setor agrícola desenvolvido, mas não produz excedente para larga exportação, assim como o Brasil. Bens agrícolas correspondem a apenas 9,9% das exportações.

“Isto se deve também à nossa péssima infra-estrutura”, avalia Majit, “apesar da mão-de-obra barata e do vasto território, mal temos rodovias para escoar qualquer tipo de produção. Uma vez que for superado esse problema, estaremos prontos para deslanchar nestas áreas também”, sustenta.

O acadêmico acredita que tanto os setores agrícola como o industrial vão se beneficiar enormemente nos próximos anos, quando, segundo ele, haverá melhor infra-estrutura.

Qualidades e circunstâncias

Ajit Ranade, empresário e economista chefe do conglomerado Birla, avalia que o sucesso do modelo de crescimento econômico indiano baseia-se inicialmente na contínua liberalização e na atração de investimento direto, porém, conta também com outras qualidades e circunstâncias que favorecem a elevação do PIB.

“A grande população é uma qualidade. Estamos falando de um mercado consumidor de mais de um bilhão de pessoas e de uma força de trabalho que em 2030 ainda estará jovem”, diz Ranade.

“O crescimento do poder aquisitivo desta população também deve ser levado em consideração. Esse elemento é uma conseqüência (do crescimento econômico), mas também é causa”, ressalta o empresário.

Ranade também acredita que há um grande potencial para a Índia exportar mais manufaturas e prevê que o país deve prosperar neste setor, assim que houver melhores condições de infra-estrutura.

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