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Atualizado às: 10 de janeiro, 2007 - 08h11 GMT (06h11 Brasília)
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Economistas acham que crescimento não chega a 4%

Siderúrgica
A Confederação Nacional das Indústrias projeta crescimento de 3,4% para este ano
Nem mesmo os economistas mais otimistas acreditam num crescimento superior a 4% para a economia brasileira este ano.

Entre os profissionais que fazem projeções dos indicadores para bancos e consultorias, a expectativa mais elevada é a do ABN Amro, que espera uma expansão de 3,8% em 2007.

Ainda assim, está longe da meta de 5% anunciada pelo governo durante a campanha eleitoral.

O presidente já deixou de usar o número. Mas o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo reafirmou no dia da posse de Lula que esta continua sendo a meta do governo. "Nós precisamos ter fé. O Brasil vai sim crescer 5%”, disse o ministro.

Na média, a expectativa de economistas e analistas é de uma expansão de 3,5% em 2006, de acordo com a pesquisa feita semanalmente pelo Banco Central com uma centena de bancos e instituições financeiras atuando no país.

"Meta política"

O economista Jankiel Santos, do holandês ABN Amro, diz que acha "muito pouco provável" conseguir uma expansão de 5%. “Vejo muito mais como uma meta política do que econômica”, diz ele.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do Ministério do Planejamento, estima um crescimento de 3,6% para este ano.

O economista Alexandre Lintz, economista-chefe do Banco BNP-Paribas para o Brasil, é mais pessimista, com uma projeção de 2,9%. “A chance de chegar a 5% é muito pequena”, afirma.

Lintz diz que o forte ritmo atual do consumo aliado à capacidade ociosa do setor produtivo permite uma expansão mais acelerada do que isso, mas acha que um crescimento de 5% nas condições atuais traria problemas para 2008.

“Se crescer 5% este ano, no ano que vem vai ser zero. O país não consegue manter um ritmo desses sem um aumento dos investimentos”, afirma. “Dá pra crescer no máximo uns 6% nos dois anos juntos”, diz.

O que segura os investimentos, diz ele, é a falta de um ambiente propenso a negócios, com muita burocracia e instabilidade de regras, por causa de agências reguladoras fracas.

A previsão da consultoria Tendências também é abaixo da média, de 3,2% para este ano.

Indústria

O setor produtivo também espera uma expansão menor do que a estimada pelo governo. A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) projeta um crescimento de 3,4% para este ano.

“É muito difícil crescer 5% em 2007. Um crescimento mais elevado seria o resultado de um grande esforço, que não se materializa de uma hora para outra”, afirma o economista da entidade, Flavio Castelo Branco.

Ele também diz que é preciso aumentar o nível de investimento tanto público quanto privado, para melhorar a infra-estrutura do país e evitar que uma expansão mais acelerada esbarre em gargalos ao crescimento futuro, como o abastecimento de energia elétrica, gás, portos e rodovias.

“O setor público precisa recuperar sua capacidade de investimento. Mas para sobrar recursos para investimento é preciso cortar os gastos correntes, porque não dá para aumentar os impostos”, diz Castelo Branco.

Ele diz que o investimento precisa aumentar dos atuais 20% do PIB para pelo menos 24%, 25%. “Nos países asiáticos fica em torno de 30%”, afirma.

PAC

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cuja divulgação é esperada desde dezembro e só deve sair em duas semanas, é visto com ceticismo pelos analistas.

“Estou esperando pra ver”, diz Jankiel Santos.

“A única coisa que o governo fez até agora foi criar a sigla” diz Lintz.

O governo já antecipou que as medidas para tentar acelerar o crescimento devem incluir redução de impostos para algumas áreas e corte de despesas públicas em alguns setores do governo.

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