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Economista pede meta de investimentos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Brasil deveria se concentrar em fixar uma meta para o nível de investimentos na sua economia em vez de se dedicar a atingir uma taxa de crescimento de 5% já a partir do ano que vem, defendeu o economista da Unicamp Luciano Coutinho em evento na Câmara Americana de Comércio (Amcham), realizado nesta segunda-feira em São Paulo. Coutinho disse entender o que chamou de "ansiedade legítima" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em acelerar o crescimento, mas argumentou que o foco numa taxa de expansão específica está equivocado, já que seria preciso primeiro "arrumar a casa" para atrair investimentos para o país e, dessa forma, promover um crescimento sustentável, livre de pressões inflacionárias. "A taxa de investimentos deveria ser o termômetro (do desempenho da economia)", disse o economista, para quem é possível elevar a atual taxa de investimentos de 20% do PIB (Produto Interno Bruto) para cerca de 22% ou 22,5% do PIB e gradativamente chegar à taxa ideal de 25%. Lula tem pedido a ministros e assessores que lhe apresentem propostas de estímulo à economia que possam propiciar um crescimento anual de 5%. "É menos relevante a taxa de crescimento da economia do que a taxa de investimento agregado", afirmou Coutinho. O economista fez a avaliação com base em estudo da sua consultoria, a LCA, de acordo com o qual 25% do PIB (cerca de US$ 200 bilhões, no caso brasileiro) é a taxa ideal de investimentos para manter um crescimento sustentado de 5%. Segundo o estudo, é o aumento do nível de investimentos que vai permitir que o Brasil cresça sem comprometer o controle da inflação. "A economia brasileira não está limitada, sob pena de incorrer em desequilíbrio inflacionário, a crescer até 3,5% ao ano, como sugerem alguns analistas, desde que os investimentos mantenham nos anos vindouros um ritmo de expansão superior ao da economia como um todo, garantindo um crescimento suficiente da capacidade de oferta de bens e serviços", diz a LCA. Investimento público O deputado federal Delfim Netto (PMDB-SP) concordou com a importância de a economia brasileira atrair mais investimentos, mas insistiu na necessidade da meta de crescimento. "A minha convicção é que o nível de investimento também segue o crescimento", afirmou Delfim, que falou depois de Coutinho no evento "Business Round Up" da Amcham. Para o deputado, mesmo que não se concretize, é importante que a meta de crescer 5% exista como "desejo" ou "estado de espírito". Por outro lado, ele complementou a tese de Coutinho ao falar sobre a importância da relação "do nível de investimento privado com o investimento público em infra-estrutura". "Hoje 19% é de investimento privado, 1% é de investimento público." Segundo o deputado, a relação entre os dois tipos de investimentos deveria ser de complementaridade, para que o investimento público "multiplique" a produtividade do investimento privado. De acordo com os cálculos da consultoria de Coutinho, o Estado deverá ter investido cerca de R$ 10 bilhões quando acabar 2006, valor que deverá passar para algo entre R$ 15 bilhões a R$ 18 bilhões em 2007. |
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