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Melhora das relações EUA-ONU será difícil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Kofi Annan deixa o comando das Nações Unidas após dez anos em uma saída planejada. John Bolton abandona o cargo de embaixador americano na ONU depois de 16 meses em uma retirada abrupta. São novos tempos em Washington, com maioria democrata no Congresso, e a Casa Branca carecia de cacife para preservar no posto um embaixador conhecido pelo estilo brusco e ceticismo em relação a órgãos multilaterais como a própria ONU. A guerra no Iraque - que Annan qualificou de ilegal um ano após a invasão de 2003 - azedou ainda mais as relações entre as Nações Unidas e a superpotência americana, que se complicaram bastante com a ascensão de George W. Bush ao poder em Washington e os crescentes escândalos dentro da instituição em Nova York. E a entrada em cena de Bolton - famoso por dizer que a sede da instituição permaneceria sólida se perdesse 10 andares - gerou novos abalos. Será que a partida de Bolton -recebida com alívio pelos quadros de carreira na ONU - e a aposentadoria de Annan -que tanto enfureceu o governo Bush - abrem oportunidades para consertos no relacionamento entre as Nações Unidas e os Estados Unidos? ‘Novo começo’ Com cautela mais do que necessária, o professor Edward Luck, da Universidade Columbia, em Nova York, observa que "existem possibilidades para um novo começo". As expectativas, é claro, podem ser frustradas pela realidade. Há dez anos, o afável Kofi Annan foi escolhido para o cargo de secretário-geral com o aval do governo americano, que vetou um segundo mandato para o imperioso Boutros Boutros-Ghali. Desta vez houve o beneplácito de Washington para o afável sul-coreano Ban Ki-Moon. Os neoconservadores, entre os quais Bolton é um dos mais ilustres e fogosos representantes, estão em declínio em Washington e a expectativa é de que Casa Branca submeta ao Senado um nome relativamente afável para ser o novo embaixador americano na ONU. Fala-se do atual embaixador em Bagdá, Zalmay Khalizad, ligado aos neoconservadores, mas com trânsito junto aos democratas. Da mesma maneira de que na dança com a comissão bipartidária que apresentou recomendações para uma nova estratégia no Iraque, a questão é saber exatamente quais serão os passos de Bush na diplomacia mundial e em particular nas Nações Unidas, agora que ele está em uma posição mais enfraquecida. Tempos dourados Mesmo antes da derrota republicana nas eleições no Congresso em novembro, o presidente já fora forçado a se dobrar à realidade, afrouxando o seu unilateralismo. Ironicamente, John Bolton teve um papel-chave para costurar coalizões dentro do Conselho de Segurança da ONU nas crises nucleares do Irã e Coréia do Norte, assim como para que a comunidade internacional encarasse com um pouco mais de vigor a questão do genocídio em Darfur. No entanto, será esperar muito que os EUA retornem com Bush, mesmo sob o choque da realidade, aos tempos dourados de sua contribuição e envolvimento nas Nações Unidas, uma história que Annan sintomaticamente ressaltou no seu discurso derradeiro em solo americano, na segunda-feira. O secretário-geral esteve na biblioteca presidencial Truman, em Independence. O estadista que governou a 1945 a 1953 integrava um establishment bipartidário consciente que o império americano tinha mais a ganhar do que a perder atuando em instâncias multilaterais. É uma boa constatação histórica, mas muito se perdeu ao longo do caminho. O conserto no relacionamento entre os EUA e as Nações Unidas vai precisar mais do que um eventual neo-realismo de um presidente em Washington ou as boas intenções de um novo secretário-geral em Nova York. |
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