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Ministro uruguaio critica Brasil por falta de acordo com UE | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro da Economia do Uruguai, Danilo Astori, disse nesta quinta-feira que “a liderança do Brasil no Mercosul não esteve presente” na condução do bloco como uma região aberta ao mundo. A afirmação é uma referência à falta de um acordo comercial entre o bloco sul-americano e a União Européia. “O Brasil é o líder natural da região, principalmente na área econômica, mas acho que essa liderança não esteve presente de forma significativa na condução do bloco na concepção que esperamos que ele deve ter, que é a de uma região aberta ao mundo”, criticou. “Há onze anos que estamos tentando um acordo com a União Européia, que não avançou. O desacordo ocorre devido aos interesses defendidos pelos europeus, mas também devido à orientação que temos dado à política de inclusão internacional.” O ministro é um figura forte no governo do presidente Tabaré Vázquez e foi um dos principais defensores da assinatura de um acordo bilateral com Estados Unidos, que quase rachou a base governista uruguaia. As declarações são feitas na véspera da cúpula de chefes de Estado da Comunidade Sul-Americana, na Bolívia, que discute a integração do continente. Crise no Mercosul Astori também condenou a “indiferença” do Brasil na disputa entre Uruguai e Argentina em relação à construção de uma fábrica de pasta de celulose às margens do rio Uruguai, que divide os dois países. Para ele, não se pode esperar “avanços da região”, principalmente depois que o agravamento das relações entre Uruguai e Argentina expuseram a “indiferença” do Brasil. De acordo com assessores do ministro ouvidos pela BBC Brasil, o que motivou as palavras de Astori foi o “silêncio” do governo brasileiro em relação à queda-de-braço entre uruguaios e argentinos, que se arrasta há meses. O conflito está sendo negociado pelo rei da Espanha, Juan Carlos I, a pedido do presidente argentino Néstor Kirchner, e com aval de Montevidéu. Nos bastidores do governo de Tabaré Vázquez, muitos consideram “desnecessária” e “exagerada” a presença do espanhol, que, segundo eles, só está participando da questão por causa da ausência do Brasil. Desde o início da disputa, o governo brasileiro descartou a possibilidade de mediação, pois entende que se trata de uma questão “bilateral”. “Grandes perdas” Astori disse ainda que o Mercosul gera “grandes perdas” ao Uruguai, em nota publicada na página oficial do Ministério da Economia na internet. “O mau funcionamento do bloco nos gera perdas de mercados, empregos e desvio de investimentos”, criticou. O ministro antecipou que insistirá na “flexibilização” das regras do Mercosul que hoje impedem acordos bilaterais fora do bloco. “Para superar os problemas do Mercosul, é preciso haver flexibilidade dos nossos sócios para permitir que os sócios menores busquem acordos bilaterais para melhorar a inserção fora da região”, afirmou. Segundo ele, as reclamações do Uruguai sobre a flexibilidade das regras serão apresentadas formalmente ao Conselho do Mercosul na reunião do bloco, nos dias 14 e 15 deste mês. Recentemente o governo brasileiro, que ocupa a presidência temporária do Mercosul, disse que daria prioridade aos sócios menores do bloco. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Chávez afirma que quer reforçar unidade sul-americana07 de dezembro, 2006 | Notícias Declaração de Kirchner agrava crise com Uruguai23 novembro, 2006 | BBC Report Bird empresta US$ 520 mi para fábrica polêmica no Uruguai21 de novembro, 2006 | Notícias Argentina pede ajuda do rei da Espanha em crise com Uruguai04 novembro, 2006 | BBC Report Brasil pode mediar crise com Uruguai se Argentina pedir03 novembro, 2006 | BBC Report Argentina ameaça apelar em Haia contra o Uruguai14 julho, 2006 | BBC Report Haia autoriza Uruguai a construir fábricas polêmicas13 de julho, 2006 | Notícias Argentina inicia recurso contra fábricas na fronteira09 de junho, 2006 | Notícias LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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