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Atualizado às: 07 de dezembro, 2006 - 10h42 GMT (08h42 Brasília)
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Com Robert Gates, realistas vencem em Washington

O novo secretário de Defesa americano, Robert Gates
Robert Gates foi confirmado como novo secretário de Defesa dos EUA
Sai o otimismo petulante, entra o bom senso. Na terminologia mais árida da política externa americana, os neoconservadores idealistas cedem lugar para os realistas cautelosos, representados por veteranos profissionais do serviço público como o novo secretário de Defesa Robert Gates.

O óbvio pode ser espetacular como, por exemplo, quando na sua sabatina de confirmação no Senado na terça-feira, Gates admitiu que os EUA não estão ganhando a guerra no Iraque. Isto é realismo, o mero bom senso.

George W. Bush ainda está aí, mas não mais sua doutrina voluntarista que prega mudanças a toque de caixa, sem um apropriado planejamento militar ou cuidadosa arquitetura política.

Realismo é uma teoria acadêmica que professa a necessidade de um país conduzir sua política externa levando em conta muito mais seus interesses do que seus valores.

Negociação com inimigos

Um mestre da "realpolitik" é Henry Kissinger, que junto com Richard Nixon engendrou o estabelecimento de relações diplomáticas dos EUA com a China comunista nos anos 70.

Os realistas conversam e negociam com inimigos. Não é à toa que na ordem-dia está a pressão crescente para que os americanos tenham um diálogo como o Irã.

Rótulos são complicados. Ronald Reagan enfrentou e negociou com o "império do mal" soviético. Foi um idealista realista.

Com sua petulância, os neoconservadores carecem de finesse política. Um ótimo exemplo: John Bolton, embaixador dos EUA nas Nações Unidas, prestes a ser mais um neoconsevador desempregado.

Para Bolton e companhia, o valor supremo é exportar um modelo de democracia e refazer o mapa-múndi, se necessário pela força e desdenhando o multilateralismo e as tradicionais alianças americanas.

Bom senso

Realismo significa bom senso e não suavidade. A pedra-de-toque da Doutrina Bush é o ataque preventivo. Será de difícil aplicação depois do aventureirismo no Iraque. Mas não pode ser descartado mesmo com a ascensão dos realistas ao centro do poder.

Como lembrou recentemente a revista Time, Robert Gates era um resoluto anticomunista que apoiou medidas agressivas contra os sandinistas na Nicarágua no começo dos anos 80 e que no governo do primeiro presidente Bush se alinhava com freqüência com um secretário de Defesa chamado Richard Cheney.

Aliás, Cheney e Donald Rumsfeld (que cederá o emprego para Gates) não podem ser rotulados de neoconservadores. Melhor considerá-los nacionalistas agressivos, que se aliaram com os neoconservadores.

As duas alas fizeram a cabeça de Bush, que quando assumiu o poder em janeiro de 2001 prometera uma política externa "humilde".

Estudo sobre o Iraque

Resta saber se Bush está recolocando a cabeça no lugar ao convocar profissionais como Gates e se escutará as recomendações de James Baker, à frente da comissão bipartidária que divulgou seu estudo sobre o Iraque nesta quarta-feira.

Gates e Baker integraram a equipe do primeiro presidente Bush, um realista e internacionalista, por excelência. Para este time, expressões como estabilidade tem mais peso do que cruzadas democráticas.

Gates é discípulo do "velho sábio" da escola realista, Brent Scowcroft, que foi assessor de segurança nacional do primeiro presidente Bush e que não teve constrangimento para criticar as folias do atual governo.

Os neoconservadores em queda estão evidentemente desolados com a ascensão dos realistas. Com otimismo, eles esperam que Bush faça apenas alguns ajustes cosméticos na sua política externa, mas também se dobram à realidade.

Um deles, Frank Gaffney, disse ao jornal britânico The Times que a escolha de Robert Gates representa o "começo da regência Baker".

Nestas intrigas palacianas, há um grande mistério: qual será o papel do vice-presidente linha-dura Richard Cheney em uma nova ordem? É difícil imaginar que um ator político que tem atuado virtualmente como primeiro-ministro se resigne realisticamente a ser um vice-presidente tradicional e decorativo.

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