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Com Robert Gates, realistas vencem em Washington | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Sai o otimismo petulante, entra o bom senso. Na terminologia mais árida da política externa americana, os neoconservadores idealistas cedem lugar para os realistas cautelosos, representados por veteranos profissionais do serviço público como o novo secretário de Defesa Robert Gates. O óbvio pode ser espetacular como, por exemplo, quando na sua sabatina de confirmação no Senado na terça-feira, Gates admitiu que os EUA não estão ganhando a guerra no Iraque. Isto é realismo, o mero bom senso. George W. Bush ainda está aí, mas não mais sua doutrina voluntarista que prega mudanças a toque de caixa, sem um apropriado planejamento militar ou cuidadosa arquitetura política. Realismo é uma teoria acadêmica que professa a necessidade de um país conduzir sua política externa levando em conta muito mais seus interesses do que seus valores. Negociação com inimigos Um mestre da "realpolitik" é Henry Kissinger, que junto com Richard Nixon engendrou o estabelecimento de relações diplomáticas dos EUA com a China comunista nos anos 70. Os realistas conversam e negociam com inimigos. Não é à toa que na ordem-dia está a pressão crescente para que os americanos tenham um diálogo como o Irã. Rótulos são complicados. Ronald Reagan enfrentou e negociou com o "império do mal" soviético. Foi um idealista realista. Com sua petulância, os neoconservadores carecem de finesse política. Um ótimo exemplo: John Bolton, embaixador dos EUA nas Nações Unidas, prestes a ser mais um neoconsevador desempregado. Para Bolton e companhia, o valor supremo é exportar um modelo de democracia e refazer o mapa-múndi, se necessário pela força e desdenhando o multilateralismo e as tradicionais alianças americanas. Bom senso Realismo significa bom senso e não suavidade. A pedra-de-toque da Doutrina Bush é o ataque preventivo. Será de difícil aplicação depois do aventureirismo no Iraque. Mas não pode ser descartado mesmo com a ascensão dos realistas ao centro do poder. Como lembrou recentemente a revista Time, Robert Gates era um resoluto anticomunista que apoiou medidas agressivas contra os sandinistas na Nicarágua no começo dos anos 80 e que no governo do primeiro presidente Bush se alinhava com freqüência com um secretário de Defesa chamado Richard Cheney. Aliás, Cheney e Donald Rumsfeld (que cederá o emprego para Gates) não podem ser rotulados de neoconservadores. Melhor considerá-los nacionalistas agressivos, que se aliaram com os neoconservadores. As duas alas fizeram a cabeça de Bush, que quando assumiu o poder em janeiro de 2001 prometera uma política externa "humilde". Estudo sobre o Iraque Resta saber se Bush está recolocando a cabeça no lugar ao convocar profissionais como Gates e se escutará as recomendações de James Baker, à frente da comissão bipartidária que divulgou seu estudo sobre o Iraque nesta quarta-feira. Gates e Baker integraram a equipe do primeiro presidente Bush, um realista e internacionalista, por excelência. Para este time, expressões como estabilidade tem mais peso do que cruzadas democráticas. Gates é discípulo do "velho sábio" da escola realista, Brent Scowcroft, que foi assessor de segurança nacional do primeiro presidente Bush e que não teve constrangimento para criticar as folias do atual governo. Os neoconservadores em queda estão evidentemente desolados com a ascensão dos realistas. Com otimismo, eles esperam que Bush faça apenas alguns ajustes cosméticos na sua política externa, mas também se dobram à realidade. Um deles, Frank Gaffney, disse ao jornal britânico The Times que a escolha de Robert Gates representa o "começo da regência Baker". Nestas intrigas palacianas, há um grande mistério: qual será o papel do vice-presidente linha-dura Richard Cheney em uma nova ordem? É difícil imaginar que um ator político que tem atuado virtualmente como primeiro-ministro se resigne realisticamente a ser um vice-presidente tradicional e decorativo. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Relatório dos EUA pede negociação com Síria e Irã06 de dezembro, 2006 | Notícias 'EUA não estão vencendo guerra', diz indicado ao Pentágono05 de dezembro, 2006 | Notícias Líder xiita rejeita interferência no Iraque05 de dezembro, 2006 | Notícias Debate sobre partilha do Iraque ganha força nos EUA17 novembro, 2006 | BBC Report Comissão Baker sobre Iraque tem missão urgente mas inglória13 novembro, 2006 | BBC Report Saída de Donald Rumsfeld abala governo Bush09 novembro, 2006 | BBC Report Bush troca Rumsfeld após derrota nas urnas08 de novembro, 2006 | Notícias Gates diz que não hesitou em aceitar cargo no Pentágono08 novembro, 2006 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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