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Atualizado às: 13 de novembro, 2006 - 17h20 GMT (15h20 Brasília)
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Comissão Baker sobre Iraque tem missão urgente mas inglória

Tropas americanas no Iraque
Comissão bipartidária pode decidir futuro dos EUA no Iraque
A comissão bipartidária encarregada de recomendar uma saída do atoleiro iraquiano, para não dizer uma nova política americana no Oriente Médio, hoje é prisioneira das altas expectativas.

Seus integrantes, porém, não têm ilusões de que a tarefa seja ingrata. Não é à toa que o rápido crescimento da influência do Iraq Study Group é saudado como o retorno dos "realistas" ao centro do poder.

Os notáveis liderados pelo ex-secretário de Estado republicano James Baker e o ex-deputado democrata Lee Hamilton estão bem atarefados esta semana.

A segunda-feira dedicada para reuniões com o alto comando do governo (inclusive o presidente George W. Bush) e a terça-feira agendada para uma videoconferência com o primeiro-ministro britânico Tony Blair.

A idéia é apresentar um relatório nas próximas semanas. Bush disse várias vezes que está ansioso para recebê-lo. E de pensar que das recomendações podem constar um calendário para a retirada gradual das tropas americanas do Iraque e conversações diretas dos EUA com o Irã e a Síria. É um contraste para um presidente que no ano passado foi contra a formação desta comissão.

Gaveta

E, de fato, tudo indicava que o destino do relatório seria a gaveta. Mas a realidade deu o ar de sua graça e mesmo antes da vitória dos democratas nas eleições legislativas da semana passada ficara claro que a missão do Iraq Study Group se tornara mais importante e mais urgente diante da deterioração do cenário iraquiano.

A vitória democrata, no entanto, realça o propósito desta comissão de realmente buscar um consenso.

O resultado eleitoral foi uma punição aos republicanos pela destruição no Iraque, mas com a vitória os democratas precisam se mostrar construtivos. O trabalho da comissão liderada por Baker e Hamilton fornece a cobertura que os democratas (divididos entre si sobre o que fazer no Iraque) precisam.

Para Bush, caso efetivamente se dobre à realidade e altere o curso de sua política iraquiana, a comissão (em particular James Baker) confere legitimidade para fazer as mudanças. E nada é mais sintomático do que Robert Gates, um integrante do grupo, ter sido indicado para ser secretário de Defesa no lugar de Donald Rumsfeld.

É um cenário que deixa desolados os neoconservadores. Os notáveis da comissão bipartidária, composta por veteranos dos governos Reagan, Bush pai e Clinton, representam uma carga da cavalaria do establishment para salvar a política externa americana. A salvação em si do Iraque é bem mais duvidosa.

O recado é simples: vamos ver o mundo como ele é e não como gostaríamos que ele fosse. No lugar do idealismo, das cruzadas democráticas e da abordagem unilateral é o momento de pragmatismo, busca de estabilidade e de um enfoque multilateral.

Enquanto insistia que não iria mudar o curso no Iraque, o presidente conversava há meses com Baker, consigliere da família Bush há três décadas. Nos últimos dias, a imprensa americana está recheada de relatos sobre a discreta mas espetacular reentrada em cena de Baker.

Nas sessões privadas com o presidente, o veterano operador teria ressaltado que iria oferecer recomendações indesejáveis e perguntado a Bush se ele estava pronto para patrocinar mudanças estratégicas na política externa americana. O presidente teria dito que sim.

Agora é a hora da prova. Vamos saber se Bush vai abandonar plenamente sua relutância e mudar o curso, o que é mais difícil do que se desvencilhar de pessoas (como o caso de Rumsfeld).

Quanto a Robert Gates, cabe a inglória missão de implementar qualquer tipo de plano de salvação da comissão bipartidária, ao lado da secretária de Estado Condoleezza Rice, que confirma ser uma ponte entre os governos de Bush pai e Bush filho.

E finalmente existe a realidade no Oriente Médio. Talvez seja simplesmente tarde demais para uma intervenção de um bando de notáveis pragmáticos.

Iraque
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