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Ex-ministro boliviano pede mais rigor com Petrobras | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ex-ministro de hidrocarbonetos da Bolívia, Andrés Soliz Rada, pediu aos congressistas bolivianos que sejam mais rigorosos com as transnacionais de petróleo com investimentos no país. Na carta aberta ao Parlamento, a Petrobras foi o principal alvo de suas críticas. A empresa brasileira é condenada por ele por querer “contabilizar” as reservas de gás – “que continuará explorando na Bolívia” – nas suas ações nas bolsas de valores e pelo “contrabando” de hidrocarbonetos, entre outras irregularidades. Soliz Rada fez os mesmos ataques quando era ministro, mas agora pede providências dos legisladores por considerar que suas preocupações não foram incluídas nos novos contratos de nacionalização das transnacionais. Os contratos estão sendo analisados no Congresso Nacional. No texto, com sete itens, Soliz Rada sugere que os congressistas criem um artigo nos contratos de nacionalização destas empresas “proibindo” que elas “inscrevam” as reservas de gás e petróleo da Bolívia nas bolsas de valores. “As reservas são de propriedade direta, intransferível e imprescindível do Estado”, escreveu ele. Para o ex-ministro, a (estatal) YPFB será a principal beneficiada com a medida, já que deverá passar a emitir bônus “reconhecidos nas bolsas de valores” e que lhe permitirão ter “capital necessário para entrar no controle da cadeia produtiva e nos projetos de industrialização do gás”. Críticas Soliz Rada abre sua carta fazendo críticas à Petrobras – alvo constante de seus ataques quando era homem forte do governo do presidente Evo Morales. Ele disse que enquanto a empresa informava ao "povo brasileiro", no dia 31 de outubro, que os novos contratos autorizam “contabilizar” as reservas que (a empresa) continuará explorando na Bolívia, no governo boliviano discordaram, afirmando que elas são do Estado. Na sua opinião, não podem existir “incertezas” sobre a “propriedade” destas reservas que somam, estima, mais de US$ 200 bilhões. Para o ex-ministro, sem estes cuidados a nacionalização de hidrocarbonetos “ficará só no anúncio”. De sua casa, em La Paz, pelo telefone, ele disse à BBC Brasil que não está sugerindo nenhuma novidade. “A Venezuela proíbe esse cálculo das transnacionais com seu petróleo”, disse. “Essa é uma tendência mundial e estas reservas anotadas em mãos dos estrangeiros significam hipotecar o futuro dos bolivianos e impedir a industrialização da YPFB”, afirmou. Na sua carta, o ex-ministro foi ainda mais duro, dizendo que os novos contratos não devem “acobertar os delitos de contrabando, evasão de impostos e calote cometidos por empresas como Andina, Chaco, Repsol e Petrobras” – casos que estão na Justiça, como recordou. Para Soliz Rada, o governo do presidente Lula só não ajudou a Bolívia no processo de nacionalização porque estava “condicionado” pela Petrobras. Empresa que, como afirmou, vendeu 62% de suas ações para “transnacionais petroleiras”. “Não é nada disso” O presidente da comissão de desenvolvimento econômico do Senado boliviano, senador Roberto Ruiz Basswerner, do partido opositor “Podemos”, ironizou as afirmações do ex-ministro. “Essa carta é uma prova a mais de que ele não entendeu o setor. E que também não sabe como funciona o sistema financeiro”, disse. “Ele acha que ao inscrever estes projetos (de exploração de gás na Bolívia) na bolsa de Nova York estamos transferindo a propriedade dos hidrocarbonetos para os acionistas da Petrobras ou outra empresa. Não é nada disso.” Para Basswerner, como determinam contratos e as regras do sistema financeiro, a Petrobras só está informando que está em curso um projeto importante que vai gerar dividendos para a companhia. “Com isso, os acionistas ou futuros acionistas podem decidir o que fazer com suas ações e saber o valor delas.” Diferentemente de Basswerner, o presidente da comissão de desenvolvimento econômico da Câmara dos Deputados, Jorge Silvar Trujillo, do partido oficial MAS (Movimento ao Socialismo), não descarta que as idéias de Soliz Rada sejam incluídas na etapa final da lei, que seria aprovada ainda este ano. Venezuela Na sua carta, o ex-ministro disse também que é melhor que as empresas “cumpram a ameaça de abandonar campos” de petróleo para que a YPFB realize operações conjuntas com a petroleira venezuelana PDVSA – “entidade que, com espírito bolivariano, apóia de maneira decisiva a nacionalização”. “O gás e o petróleo destes (determinados) campos podem ser imediatamente destinados à industrialização com a estatal venezuelana.” Para ele, Evo Morales está “mal assessorado” quando lhe dizem que a nacionalização será concluída “sem expropriações e indenizações”. Soliz Rada disse que o país está obrigado a estas duas etapas da nacionalização. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Negociação do preço do gás boliviano é adiada por 30 dias08 novembro, 2006 | BBC Report Bolívia prevê receita de US$ 1,3 bi com nacionalização de gás04 novembro, 2006 | BBC Report Morales sugere que Brasil dê refinarias à Bolívia31 de outubro, 2006 | Notícias Acordos fortalecem Evo Morales, dizem analistas bolivianos30 outubro, 2006 | BBC Report Novo contrato tem condições melhores, diz Petrobras29 outubro, 2006 | BBC Report Petrobras fecha acordo para ficar na Bolívia29 outubro, 2006 | BBC Report Bolívia fecha novos contratos com duas empresas28 outubro, 2006 | BBC Report Ministro dos Hidrocarbonetos renuncia na Bolívia15 setembro, 2006 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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