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Bolívia fecha novos contratos com duas empresas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Duas empresas, a francesa Total e a americana Vintage, assinaram nesta sexta-feira à noite um novo contrato com o governo boliviano para exploração de petróleo no país a partir das novas regras impostas pela Bolívia. A assinatura foi realizada em uma cerimônia com a presença do presidente Evo Morales, do ministro dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, do vice-presidente, Álvaro Garcia Linera e do ministro do Governo Ramon Quintana, o chanceler David Choquehuanca. A Total fechou contrato para exploração de dois grandes campos de gás, com investimento de quase US$ 2 bilhões. Nos dois casos, o governo boliviano receberá 82% dos lucros, divididos entre impostos e licenças. Morales mandou um recado para as oito empresas estrangeiras que ainda não concluíram a renegociação. “Às outras empresas que estão negociando, quero dizer: embora sejamos um país pequeno, um país em desenvolvimento, aqui as empresas têm que respeitar nossas normas, nossas leis”, afirmou, antes de ser muito aplaudido pelos militantes presentes no auditório. O presidente disse que as empresas têm que respeitar as regras e o povo boliviano, e que as negociações continuavam. "Soberania" A assinatura dos contratos, embora com apenas duas das dez empresas estrangeiras que atuam no país, foi apresentada aos bolivianos como o primeiro passo rumo à recuperação da dignidade e da soberania do país. “Estamos firmando com as duas empresas para que sejam sócias, e não donas dos nossos recursos petrolíferos”, afirmou o presidente. A nacionalização acontece dez anos depois da privatização do setor petrolífero, realizada no primeiro governo do ex-presidente Gonzalo Sanches de Lozada. A cerimônia foi realizada num auditório do governo, com a presença de convidados do MAS (Movimento ao Socialismo, partido de Morales), e transmitida num telão para centenas de pessoas na rua. Do lado de fora, a “festa” dos bolivianos continuou com um show de música que contou com a presença de centenas de pessoas. O arquiteto e administrador de empresas desempregado Artemio Canabirri disse que a renegociação dos contratos era “uma medida excepcional ante o neoliberalismo, que faz muito dano ao nosso país”. Ele criticou a Petrobras, que segundo ele paga um preço muito baixo pelo gás que extrai da Bolívia e vende muito mais caro no Brasil. A funcionária dos Correios Aida Luz Pareja afirmou que com a nacionalização a Bolívia vai sair da pobreza. “Vai haver desenvolvimento para a gente pobre que vive no campo”, afirmou. Negociações continuam O ministro dos Hidrocarbonetos não quis adiantar nada sobre o estágio das negociações com a Petrobras. Só disse que o proceso continua neste sábado e que ele planeja outra cerimônia para a assinatura de acordos durante o dia e uma entrevista coletiva um minuto depois da meia-noite, quando vence o prazo para adequação do decreto de nacionalização, para apresentar um balanço das operações das empresas estrangeiras no país. Na Petrobras, o silêncio foi total durante todo o dia. O gerente do Cone Sul da empresa, Décio Odoni, entrou e saiu da reunião na sede da YPFB várias vezes durante o dia sem falar com a imprensa. Tanto na sede da Petrobras na Bolívia, em Santa Cruz de La Sierra, como em Brasília, os porta-vozes diziam que não sabiam nada sobre o andamento das negociações e não sabiam se a empresa era uma das que assinariam o novo contrato nesta sexta-feira à noite. Os nomes das duas empresas só foram divulgados no momento da cerimônia. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Bolívia confirma assinatura de acordos nesta sexta27 outubro, 2006 | BBC Report Jornal boliviano diz que só Petrobras não fechou acordo27 outubro, 2006 | BBC Report Bolívia pode optar por acordo genérico para manter prazo26 outubro, 2006 | BBC Report Morales lança 'Bolsa Família' com recursos da nacionalização27 outubro, 2006 | BBC Report Sem acordo, Petrobras pode deixar Bolívia, diz Marco Aurélio24 de outubro, 2006 | Notícias 'Brasil não aceitará decisão unilateral da Bolívia'24 de outubro, 2006 | Notícias Na Argentina, FHC diz que Lula deve se comparar a Collor19 outubro, 2006 | BBC Report Bolívia vai triplicar venda de gás para a Argentina19 de outubro, 2006 | Notícias LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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