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Pena de morte pode tornar Saddam um herói, diz jornal turco | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A condenação à forca do ex-presidente iraquiano mereceu atenção especial em muitos dos principais jornais do mundo e, em particular, do mundo islâmico. A pena de morte transformará Saddam Hussein em "ditador, assassino ou herói?" – questiona nesta segunda-feira o jornal turco Posta. Como outros jornais vizinhos do Iraque, o mais lido diário da Turquia evitou fazer uma defesa do ex-presidente do Iraque, mas questionou o processo que neste domingo condenou-o à pena capital por crimes contra a humanidade. Para o Posta, "(o governo) Bush criou uma lenda com suas próprias mãos". Na mesma linha, o também turco Yeni Safak – que disse desejar "o mesmo fim para todos os ditadores" – escreveu, em referência à invasão dos Estados Unidos contra o Iraque: "A punição dos que bombardeiam inocentes, ocupam países por razões inválidas, mantêm as ocupações mesmo depois de suas mentiras serem reveladas deveria ser 40 vezes maior que a infligida a Saddam… Mas onde está a corte para dar este veredicto?" Irã O iraniano Hamshahri disse que o destino de Saddam "comprovou que é impossível ser um herói oprimindo seu próprio povo". "Mas uma questão permanece: por que os defensores dos direitos humanos, que ocuparam o Iraque rico em petróleo de hoje, apoiaram Saddam por tantos anos?", questionou o diário. No Irã, país invadido por Saddam Hussein em 1980, os editorias e comentaristas sustentaram que o julgamento do ex-líder do Iraque irá complicar ainda mais a situação política do país e, por conseqüência, da região. Para o nacionalista Irã, "a pena de morte de Saddam na atual situação (instável do Iraque) é útil para a campanha dos republicanos nos Estados Unidos. Alguns especialistas acreditam que a sentença pode ser suspensa após as eleições (de novembro)". Árabes A postura crítica foi manifestada em jornais árabes ao redor do mundo. Na visão do libanês Daily Star, "o julgamento de Saddam não foi exemplo de um judiciário independente operando no contexto de um Estado livre e democrático". "Os julgamentos não trouxeram à tona o fato de que o Ocidente, em particular os Estados Unidos, tem pelo menos uma parcela de responsabilidade pela morte de muitas vítimas de Saddam", disse o jornal, referindo-se à aliança entre o Iraque e os países do Ocidente durante os anos 80. "Quando Saddam for enforcado, os iraquianos estarão livres de um ditador tirânico. Mas estarão longe de escapar da tirania e da brutalidade, que são igualmente prejudiciais – se não mais – na era sob o que os Estados Unidos chamam de 'Operação Liberdade Iraquiana'". O jornal pan-árabe baseado em Londres Al-Quds al-Arabi disse que "o veredicto é um seriado para vender ficção ao povo do Iraque". "Ele também vem com os episódios passados sobre as eleições legislativas e a farsa de transmitir a autoridade (para os iraquianos)." Mais firme, o diário de propriedade saudita Al-Hayat afirmou que "não há razão para celebrar. Estamos assistindo ao esfacelamento do Iraque". "Tememos que milhares e milhares de jovens Saddam nasçam em cada localidade do Iraque e dediquem suas vidas a matar". Israelenses A maioria dos jornais israelenses também manteve o pé atrás. O diário de centro-direita Ma'ariv afirmou que "este foi o julgamento mais ridículo na história e, portanto, o mais triste. Triste por haver tratado com um ato de assassinato e genocídio com incompetência abissal". O Ha'aretz argumentou que, em meio à violência que afeta o país, a sentença dada a Saddam "é apenas mais uma como as dezenas executadas por milícias contra civis das comunidades rivais. Por isso, o veredicto não terá impacto real no que se desenrola nas ruas de Bagdá e Mosul". Já o Jerusalem Post saiu em defesa da condenação, que qualificou como "um triunfo da justiça e um sinal de esperança para o Iraque, a região e o mundo". |
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