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Premiê iraquiano elogia condenação de Saddam à morte | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O primeiro-ministro do Iraque, Nouri Maliki, classificou a condenação de Saddam Hussein à morte por enforcamento por crimes contra a humanidade como “um veredicto sobre toda uma era escura”. Maliki disse que o ex-presidente é um criminoso que merece a punição a que foi sentenciado. O ex-líder iraquiano foi condenado pelo assassinato de 148 pessoas no vilarejo de Dujail, de maioria xiita, após uma tentativa de assassiná-lo em 1982. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que o veredicto foi um “marco” para o Iraque, mas a União Européia pediu que ele não seja executado. Toque de recolher 'amenizado' O toque de recolher que tinha sido decretado em Bagdá, por causa da sentença de Saddam Hussein, foi amenizado. As forças de segurança permitiram que os cidadãos voltassem a circular pelas ruas da cidade, mas veículos motorizados ainda estão proibidos de rodar, ao menos até a manhã desta terça-feira. As ruas de Bagdá estavam nesta segunda-feira praticamente desertas. Segundo um correspondente da BBC em Bagdá, o clima na capital iraquiana é de “uma calma assustadora”. No Iraque, celebrações ocorreram entre os muçulmanos xiitas, mas áreas sunitas viram protestos e alguns combates. Duas pessoas foram mortas na cidade de Baquba. Quase três anos após a captura de Saddam Hussein, a crescente violência sectária levou o Iraque à beira da guerra civil – e correspondentes dizem que poucos iraquianos acham que o veredicto aliviará o conflito. Apelação Saddam Hussein e seus co-réus terão o direito de apelar da sentença, mas isso deve levar apenas algumas semanas e terminar com a derrota dos defensores. De acordo com o correspondente da BBC Mike Wooldridge, diversas dúvidas também apareceram sobre o quão rápido a sentença pode ser executada. O presidente do Iraque, Jalal Talabani, uma das duas pessoas que podem autorizar a execução da sentença, é um conhecido opositor da pena de morte. Além disso, alguns especialistas legais argumentam que o julgamento em andamento de Saddam Hussein por atrocidades cometidas contra a população curda deveria chegar a uma conclusão antes de sua execução. No momento, não há planos para adiar a execução do antigo líder para esperar pelo segundo julgamento. Denúncia O presidente iraquiano deposto denunciou o tribunal, o juiz e a ocupação liderada pelos Estados Unidos durante seu julgamento em Bagdá. Quando o veredicto foi anunciado, Saddam gritou “Allahu Akbar!” (Deus é Grande) e “Longa vida ao Iraque! Longa vida ao povo iraquiano! Abaixo os traidores!”. O premiê iraquiano comemorou o resultado em uma fala televisionada, dizendo que ele “não representa um veredicto sobre uma pessoa”, mas “um veredicto sobre toda uma era escura... sem precedentes na história iraquiana”. “Talvez isso ajudará a aliviar a dor das viúvas e dos órfãos... e daqueles que sofreram nas mãos dos torturadores”, disse. O presidente Bush disse que o veredicto foi um “marco” sobre os esforços do povo iraquiano de “trocar o domínio de um tirano pelo império da lei”. Mas a União Européia pediu às autoridades iraquianas que trabalhem pela reconciliação e que evitem levar adiante a execução. O Vaticano se juntou a diversos grupos de defesa dos direitos humanos ao criticar a sentença, descrita como um legado da vingança no estilo “olho por olho”. Logo após o anúncio do veredicto, houve cenas de comemorações no distrito xiita de Sadr City e na cidade sagrada de Najaf. Mas em Tikrit, cidade-natal de Saddam Hussein, houve fúria, com simpatizantes do ex-presidente desafiando um toque de recolher para desfilar com fotografias do antigo líder. Co-réus O tribunal em Bagdá também aprovou sentenças de morte para o meio irmão de Saddam Barzan al-Tikriti e para o ex-juiz Awad Hamed al-Bandar. O ex-vice-presidente Taha Yassin Ramadan foi sentenciado à prisão perpétua, e outros três co-réus foram condenados a penas de 15 anos de prisão. Outro co-réu, o dirigente do partido Baath Mohammed Azawi Ali, foi absolvido. Muitos críticos denunciaram o julgamento como uma forma de “justiça dos vencedores”, dada a grande atenção dada a ele pelos Estados Unidos. A equipe de defesa de Saddam Hussein também acusou o governo de interferir nos procedimentos – uma queixa apoiada pelo grupo americano Human Rights Watch. O processo foi marcado por freqüentes interrupções pelos réus e seus advogados e pelos problemas com segurança. Os advogados do ex-presidente também atacaram o momento do anúncio do veredicto, que ocorreu dias antes de os eleitores americanos votarem em eleições para o Congresso. O partido Republicano, de George W. Bush, corre o risco de perder o controle do Congresso, em parte por conta da insatisfação com o conflito no Iraque. |
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