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Chávez faz barulho, mas Lula manda na América Latina, diz Figaro | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Brasil detém a "chave do equilíbrio" regional na América Latina, e por isso a eleição de Lula gerou alívio entre líderes dos países vizinhos, sustenta uma análise publicada pelo jornal francês Le Figaro. Em artigo intitulado 'Na América Latina, Chávez faz barulho mas é Lula quem manda', a jornalista especializada Lamia Oualalou diz que, apesar das discórdias com os países vizinhos, "de Buenos Aires a La Paz, de Santiago a Havana", cada líder nacional reconhece o protagonismo do Brasil como porta-voz regional. "Se a Venezuela de Hugo Chávez e sua guerra contra o 'imperialismo americano' monopoliza as manchetes, é em função de Brasília que Washington é obrigada a dosar sua intervenção na América Latina", ela destaca. A dependência seria também do presidente boliviano Evo Morales, "que continua a testar a paciência do Brasil" na questão energética, e do argentino Nestor Kirchner, que "em outros tempos teria provocado uma verdadeira crise diplomática" com suas medidas protecionistas no Mercosul. Para a jornalista, a "condescendência" de Lula se explica porque "o governo (brasileiro) está convencido de que para ombrear as capitais ocidentais, e aspirar a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, o país deve se tornar porta-voz da América do Sul". "Esquerda suave" A política externa de Lula também ganha espaço no Christian Science Monitor. O diário americano diz que "a reeleição é boa para os laços brasileiros com aliados próximos e distantes". "Além de promover aproximação com a China, a Ásia e o Oriente Médio, Lula manteve relações cordiais com o presidente (americano George W.) Bush e os principais líderes europeus, sendo para eles uma ponte na região." Segundo o Christian Science Monitor, Lula lidera a "esquerda suave" na América Latina – que incluiria ainda Argentina, Uruguai e Chile –, sem deixar de dar atenção ao líder mais radical do subcontinente, o venezuelano Hugo Chávez. "Os Estados Unidos vêem Lula como uma pessoa que pode garantir a estabilidade da região, alguém que pode dialogar com Chávez e até contê-lo", opina um especialista brasileiro ouvido pelo jornal. "Magia" O espanhol El País dedica à reeleição um editorial intitulado "A magia de Lula". "A votação maciça de Lula tem pouco de magia. É resultado de seus programas de luta contra a pobreza", diz o jornal. Mas o editorial se questiona sobre os rumos do segundo mandato, destacando que o primeiro mandato de Lula manteve o rigor nas contas públicas e a luta contra a inflação. Neste segundo termo, diz o texto, Lula "pode se permitir mais alegrias para tentar conseguir o que anuncia: que o Brasil deixe de ser uma economia emergente e cumpra as expectativas em torno do país". "Começa assim um Lula 2? Não surpreende que suas primeiras declarações tenham servido para – além de desfrutar do 'momento mágico' que, ele disse, vive a democracia brasileira – manter sob controle o resto das reformas políticas." Ética Em tom menos laudatório, o americano The New York Times questiona "se Lula interpretará que essa vitória lhe absolve dos casos de corrupção". "Depois do primeiro turno, ele expressou arrependimento pelo que chamou 'erros' do partido – no entanto, mal ele prometeu o fim da má conduta, alguns de seus aliados mais próximos reapareciam envolvidos com o escândalo do dossiê", diz a matéria. O jornal coloca esse dilema contextualizando as dificuldades de composição do governo no segundo mandato, já que "uma segunda lua-de-mel" com o eleitor ou com o Congresso "está descartada". "Para conseguir aprovação do Legislativo para seus projetos, (Lula) corre o risco de ter de recorrer a negociações eticamente questionáveis que colocaram seu primeiro governo em apuros", diz o NYT. |
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