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Atualizado às: 30 de outubro, 2006 - 02h37 GMT (23h37 Brasília)
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Reeleito, Lula diz que 'pobres terão preferência'

Lula, após a reeleição
Lula recebeu mais de 58 milhões de votos no segundo turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, reeleito neste domingo, afirmou que “os pobres terão preferência” no seu segundo mandato.

“As regiões mais empobrecidas terão no nosso governo uma atenção ainda maior, porque nós queremos transformar o Brasil (em um país) mais equânime, mais justo”, disse Lula em seu primeiro pronunciamento após a divulgação dos resultados, em um hotel em São Paulo, antes de ir para a festa da vitória, na avenida Paulista.

Lula venceu em 20 dos 27 Estados brasileiros. No Norte e no Nordeste, regiões com os maiores índices de pobreza do País, Lula só não venceu em Roraima.

Em sete Estados, o presidente recebeu mais de 75% dos votos: Amazonas (86%), Bahia (78%), Ceará (82%), Maranhão (84%), Paraíba (75%), Pernambuco (78%) e Piauí (77%).

Sobre a economia, Lula disse que foi eleito porque o povo tem a esperança de que o país cresça “muito mais rápido” do que no seu primeiro mandato.

“Nós cansamos de ser uma potência emergente”, disse. No entanto, o presidente afirmou que manterá uma política fiscal “dura”, com o Estado gastando menos do que arrecada.

O presidente também falou que tem urgência para discutir uma reforma política, ainda no começo do segundo mandato.

Aos jornalistas, prometeu estabelecer uma relação melhor com a imprensa no segundo mandato, concedendo mais entrevistas coletivas. Durante o primeiro mandato, o presidente foi criticado por conversar pouco com os jornalistas.

Lula surpreendeu os repórteres presentes no seu pronunciamento e se colocou à disposição para responder cinco perguntas dos jornalistas, improvisando uma entrevista coletiva.

Confira abaixo os principais trechos do primeiro discurso de Lula após a reeleição:

POBREZA
Continuaremos a governar um Brasil para todos, mas continuaremos a dar mais atenção para os mais necessitados. Os pobres terão preferência no nosso governo. As regiões mais empobrecidas terão no nosso governo uma atenção ainda maior, porque nós queremos transformar o Brasil (em um país) mais equânime, mais justo.

Ao mesmo tempo que eu tenho a convicção que a solução para os problemas brasileiros não é mais fazer o povo sofrer com ajustes pesados, que terminam caindo em cima do povo, a solução está no crescimento da economia e no crescimento da distribuição de renda.

Nós provamos que com o pouco de distribuição de renda que nós fizemos, seja com a política de transferência de renda através do Bolsa Família, da Loas (Lei Orgânica da Assistência Social), do crédito consignado, do salário mínimo, dos reajustes dos trabalhadores maiores que a inflação, nós provamos que quando o povo tem um pouco de dinheiro ele começa a comprar, a loja começa a vender, a loja começa a comprar da fábrica, a fábrica começa a produzir, gerar empregos, gerar distribuição de renda, e é esse o país que nós queremos .

DESENVOLVIMENTO
Não tenho dúvida de que o Brasil irá atingir um padrão de desenvolvimento que o colocará entre os países desenvolvidos do mundo. Nós cansamos de ser uma potência emergente. Nós queremos crescer. As bases estão dadas, e agora a gente tem que trabalhar. Todo mundo votou porque se tem esperança de que as coisas podem andar ainda mais rápido e muito melhor do que andaram no primeiro mandato.

POLÍTICA ECONÔMICA
Eu disse a vocês que eu manteria uma política fiscal dura, porque eu aprendi – não na faculdade de economia, como os meus companheiros aprenderam – eu aprendi na vida cotidiana que a gente não pode gastar mais do que a gente ganha, porque senão um dia nós vamos nos endividar em tal ordem, que não poderemos pagar a dívida que se contraiu.

CORRUPÇÃO
Eu sou grato às pessoas que acreditaram, que confiaram. Sou grato ao povo brasileiro que em vários momentos foi instado a ter dúvida contra o governo, e o povo sabia fazer a diferença entre o que era verdade e o que não é verdade, o que estava acontecendo e o que não estava acontecendo. E sobretudo, o povo sentiu que ele havia melhorado. E quanto a isso, não há adversário.

REFORMA POLÍTICA
As instituições estão sólidas, o povo brasileiro sabe reagir nos momentos adequados com as atitudes adequadas, os partidos políticos precisam se fortalecer, e para isso nós vamos discutir logo no começo do mandato a reforma política que o Brasil tanto necessita, e é importante que ela saia. E que ela saia por consenso de todos os partidos políticos.

OPOSIÇÃO
Estou confiante no Brasil, estou confiante na compreensão dos partidos que perderam as eleições, nos Estados e no governo federal. A eleição acabou. Agora não tem mais adversário. O adversário agora são as injustiças sociais que nós temos no Brasil. O adversário agora é todo mundo se juntar e ajudar o país a crescer.

Quero conversar com todos, sem distinção. Não haverá um único partido nesse país que eu não chame para conversar, para dizer o seguinte: “Agora o problema do país é de todos nós. Eu tenho a Presidência, mas todos os brasileiros e brasileiras têm a responsabilidade de dar a sua contribuição para que o Brasil não perca mais uma oportunidade.”

SEGUNDO MANDATO
Eu durante a campanha citava muito o exemplo de que a gente já tinha construído os alicerces. As bases estão lançadas para que o Brasil dê um salto de qualidade extraordinário nesse mandato.

Aos meus companheiros sindicalistas quero dizer: reivindiquem tudo o que vocês precisarem reivindicar, nós daremos apenas aquilo que a responsabilidade permita que a gente dê.

DEMOCRACIA
(Eu quero) dizer para vocês que eu penso que o Brasil está vivendo um momento mágico de consolidação do processo democrático brasileiro. Eu acho que esse momento nós devemos ao povo brasileiro, sobretudo ao povo que foi incluído no patamar daqueles que já tinham conquistado a cidadania.


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