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Sem reformas, não haverá estabilidade, diz agência de risco | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na opinião da diretora de classificação de risco soberano para América Latina da agência Standard & Poors (S&P), Lisa Schineller, não importa quem vença a próxima eleição presidencial, a estabilidade econômica brasileira vai depender basicamente da superação de desafios políticos entre o governo e o Congresso Nacional. Falando em nome da S&P em um seminário realizado nesta terça-feira em Nova York para examinar o panorama macroeconômico de países latino-americanos com eleições presidencias em 2006, Schineller disse que o principal desafio à frente do próximo presidente, seja Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Geraldo Alckmin (PSDB), “será a sua capacidade de fazer articulações políticas com a oposição para aprovar difíceis peças de legislação no Congresso”. Ela se referia a uma série de reformas impopulares que visam a aliviar o caixa do governo federal, como a reforma da previdência e das leis trabalhistas. “Muitas dessas reformas são dolorosas, mas são indispensáveis para a futura estabilidade macroeconômica do país”, disse. Pragmatismo Indagada sobre o possível impacto negativo que o acirramento da campanha eleitoral – marcada pela animosidade entre o governo e os partidos de oposição – poderia ter sobre a economia brasileira em 2007, ela disse: “o calor do debate eleitoral é previsível, mas acreditamos que depois da eleição o pragmatismo deverá prevalecer, tanto da parte do governo como da oposição.” “É por isso que a perspectiva para a nota de classificação de risco do Brasil, que é BB, é estável”, acrescentou. “Hoje não acreditamos que o cenário político vá ameaçar a economia.” De acordo com ela, uma futura promoção da nota brasileira para o nível de grau de investimento – o mais alto da escala – dependerá basicamente “do compromisso brasileiro de levar adiante o projeto de estabilização econômica, iniciado no governo Fernando Henrique Cardoso e continuado pelo governo Lula”. Crescimento Ao falar do continuísmo econômico entre os governos FHC e Lula, Schineller citou a manutenção da política de metas da inflação e de câmbio flutuante, o aumento do superávit primário pelo governo Lula e a melhoria do perfil da dívida tanto do setor público quanto do privado. Ao criticar as baixas taxas de crescimento da economia brasileira, Schineller disse que elas derivam “de uma combinação perversa do chamado custo Brasil, uma enorme carga tributária, burocracia excessiva, infra-estrutura precária e um Estado grande e ineficiente”. “Tudo isso só vai melhorar se o Brasil conseguir aprovar as reformas necessárias”, disse. Peru e Panamá Entre os demais países latino-americanos analisados no seminário, segundo a S&P, o Peru desponta como o que tem mais chances de ter sua nota de classificação de risco promovida mais rapidamente. “Devido às melhorias no lado fiscal, no perfil da dívida, no aumento das exportações e do próprio crescimento econômico, hoje o Peru tem maiores chances de ser promovido, enquanto as chances do Brasil e da Colômbia são mais limitadas”, disse Jane Eddy, diretora-gerente de classificação soberana da S&P. Atualmente, a nota de classificação de risco do Peru é BB com uma perspectiva positiva – um degrau acima da nota brasileira e um degrau abaixo do grau de investimento. “Para o Peru, os principais desafios são a manutenção do crescimento econômico, a consolidação da governabilidade e o aprimoramento de programas de distribuição de renda,” disse Sebastian Briozzo, diretor de crédito soberano da S&P em Buenos Aires. Entre os demais países latino-americanos, o México apresenta um panorama macroeconômico estável, com altas reservas garantidas pela venda do petróleo e de manufaturas para o mercado americano. Já o panorama do Panamá é mais instável. Recentemente, o país aprovou, num referendo, a ampliação do Canal do Panamá, um projeto orçado em US$ 6,2 bilhões, aí já incluídos os custos financeiros. “O custo representa cerca de 36% do PIB do país”, disse Lisa Schineller. “Esta não é uma carga insignificante. Certamente o Panamá se beneficiará da ampliação do canal, mas esta certamente é uma conta alta para uma economia dolarizada”, concluiu. |
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