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Atualizado às: 11 de outubro, 2006 - 08h48 GMT (05h48 Brasília)
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Anistia: Crianças no Congo 'ainda estão armadas'
Crianças soldados no Congo
Muitas crianças ainda andam armadas no Congo
Um relatório do grupo de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional, divulgado nesta quarta-feira, critica duramente a República Democrática do Congo por não ter conseguido acabar com o envolvimento de crianças nos grupos armados do país.

Três anos após o fim de uma guerra em que elas foram forçadas a lutar, 11 mil crianças ainda carregam armas devido à "falta de vontade política, à desorganização e à corrupção", segundo a Anistia.

O relatório diz ainda que meninas continuam sendo usadas como escravas sexuais e empregadas domésticas por comandantes militares.

Uma das meninas ouvidas pela Anistia conta que se uniu a um dos grupos quando perdeu seus pais, aos 12 anos de idade.

"Achei que eles fossem tomar conta de mim, mas um homem me escolheu como 'esposa' e me forçava a carregar coisas pesadas, a roubar cabras e até a lutar com armas. Um dia, consegui escapar e fui para casa, mas os mayi-mayi (um dos principais grupos rebeldes do país) vieram ameaçar meus parentes e tive que voltar", diz Marie, hoje com 17 anos.

Outras crianças admitem que, apesar dos horrores enfrentados por elas durante a vida militar, elas podem ser obrigadas a recorrer novamente aos grupos armados por uma questão de sobrevivência.

A Anistia Internacional diz ainda que o novo exército congolês é uma das facções usando crianças como recrutas.

Elas seriam escolhidas por serem mais facilmente manipuladas e, por muitas vezes, desconhecerem os perigos que enfrentarão.

Reintegração

O programa de desmilitarização e reintegração que visava libertar crianças soldados e levá-los de volta a uma vida normal começou dois anos atrás, mas teria falhado em sua missão.

A organização de direitos humanos fez um apelo para que o vencedor das próximas eleições no país transforme a questão em prioridade.

"O novo governo deve ter como maior prioridade garantir que todas as crianças associadas às forças armadas e grupos armados sejam libertadas, protegidas e tenham acesso a oportunidades de estudo e geração de renda para que possam permanecer em suas comunidades", pede o relatório.

"Esta é a única maneira de impedir novos recrutamentos e o abandono dessas crianças."

No dia 29 de outubro, a República Democrática do Congo realizará o segundo turno da primeira eleição multipartidária em 46 anos para a presidência.

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