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Caio Blinder: Escândalo abala republicanos nos EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em campanha por candidatos republicanos às eleições no Congresso em 7 de novembro, o presidente George W. Bush afia a retórica contra a oposição democrata, com a acusação de que ela é mole com terroristas e na defesa da segurança nacional. Mas por estes dias, os americanos parecem estar muito mais preocupados em saber se a liderança republicana na Câmara dos Deputados foi suficientemente dura para proteger os menores de idade que trabalhavam na casa, após descobrir as investidas por e-mails explicitamente sexuais de Mark Foley, o parlamentar que renunciou em desgraça na semana passada. Bush está repetindo a tática que deu a vitória aos republicanos nas eleições de 2002 e 2004, mas em 2006 a guerra é outra. O escândalo Foley se mostra a cada dia mais efetivo para minar as ambições do partido do presidente para manter o controle das duas casas do Congresso. Na Câmara, os democratas precisam de 15 cadeiras para reconquistá-la, enquanto no Senado (onde estão em jogo 1/3 das cadeiras) eles necessitam de seis para conseguir a maioria. Os discursos de Bush não ecoam como os clamores para que o presidente da Câmara, Dennis Hastert, renuncie ao posto porque supostamente sabia dos e-mails inapropriados enviados por Foley. Nenhuma surpresa que um editorial do liberal "New York Times" torça para que os eleitores "punam" os republicanos nas urnas em novembro. Mais sintomático do sentimento nacional é a fúria do "Washington Times", um dos jornais mais conservadores e mais leais aos republicanos. Em editorial, o jornal conclamou Hastert a "fazer a única coisa certa" e renunciar ao seu cargo imediatamente. Na linha de raciocínio do "Washington Times", o líder republicano foi negligente ou conivente no escândalo. Na reta final da campanha, os republicanos esperavam estar na ofensiva, martelando nestas questões de segurança nacional e terror. Nenhuma supresa que a oposição democrata tenha encontrado flancos para atacar o partido governista, hoje comumente acusado de arrogância, corrupção e incompetência. A violência pornográfica no Iraque já era um alvo escancarado. Agora o caso Foley está obscenamente aberto para as investidas. Mais surpreendente é a divisão nas hostes conservadoras, justamente quando os republicanos se empenhavam para ter uma mensagem unificada e mobilizar sua base para votar em novembro. Congressistas republicanos trocam farpas sobre quem tem responsabilidade no escândalo Foley, enquanto a direita religiosa desta vez não reza pela mesma cartilha. Alguns setores vieram em socorro de Hastert, mas outros se amotinaram acusando o partido de não ter vergonha na cara. O temor de estrategistas republicanos é de que eleitores que pautam seu voto pela questão moral fiquem em casa no dia da votação para expressar o seu protesto com os rumos do partido. A moral republicana está tão em baixa que um dos líderes do moderno movimento conservador americano, Richard Viguerie, disse que o partido não deve "temer" uma derrota em novembro. Com a fúria dos profetas, Viguerie afirmou que seria até bom para os republicanos ficarem, "como os judeus da Bíblia", vagando uns tempos pelo deserto da oposição para se purificarem. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Imprensa traz novas denúncias contra republicano04 de outubro, 2006 | Notícias Bush se diz 'enojado' com escândalo sexual no Congresso04 de outubro, 2006 | Notícias Escândalo ameaça maioria republicana no Congresso03 outubro, 2006 | BBC Report EUA: FBI investiga escândalo sexual no Congresso02 de outubro, 2006 | Notícias | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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