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Atualizado às: 03 de outubro, 2006 - 08h50 GMT (05h50 Brasília)
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Escândalo ameaça maioria republicana no Congresso

Mark Foley
Republicanos tentam se distanciar de Mark Foley
A pouco mais de um mês das eleições no Congresso americano, o governista Partido Republicano vive uma aflição maior. Sua liderança na Câmara dos Representantes tenta conter o estrago político e possivelmente eleitoral causado pelo escândalo envolvendo Mark Foley, que renunciou ao cargo de deputado pela Flórida quando acusado de enviar e-mails de conteúdo explicitamente sexual para menores de idade que trabalham como mensageiros no Congresso.

Foley é visto agora como uma raposa no galinheiro, pois era um suposto paladino da campanha contra predadores sexuais, à frente da comissão que zelava pelos interesses de crianças desaparecidas e exploradas.

A liderança republicana está sob crescente pressão para explicar o que sabia e quando soube das mensagens eletrônicas. Não basta se distanciar da maçã podre Foley, pedir apuração rigorosa e chamá-lo agora de repulsivo, como fez o presidente da Câmara, Dennis Hastert.

Muito mais está em jogo do que a imagem do partido que apregoa com vigor a defesa de valores familiares.

Larry Sabato, professor da Universidade da Virgínia e um dos mais conhecidos analistas políticos do país, resume que o escândalo é um "desastre" para os republicanos que lutam para manter o controle tanto da Câmara, como do Senado nas eleições de novembro.

O caso Foley pode ser um ponto de virada para um eleitorado bastante desiludido com sua classe política em geral, mas a punição maior será em cima dos republicanos.

Para virar o jogo, os democratas precisam ganhar 15 cadeiras na Câmara, onde haverá renovação completa, e 6 no Senado, no qual em disputa estarão apenas 1/3.

Cada cadeira, portanto, é preciosa. Os republicanos terão é claro dificuldades para segurar a vaga de Foley na Flórida, que foi substituído na segunda-feira, mas cujo nome permanece na cédula.

Em perigo também está a cadeira de Tom Reynolds (Nova York), coordenador da campanha eleitoral republicana da Câmara que era próximo do ex-deputado em desgraça e agora é um alvo preferencial da saraivada de denúncias da oposição democrata de que o comando do partido situacionista estava mais preocupado em proteger Foley do que os adolescentes que trabalham no Congresso.

De todos os escândalos que afligem os republicanos - três dos seus deputados já foram indiciados por corrupção - o caso Foley é o mais fácil de entender. Poucas questões indignam mais eleitores com filhos do que escândalos envolvendo membros do Congresso com menores de idade e a impressão de acobertamento.

O escândalo Foley explodiu quando as perspectivas republicanas para manter o controle da Câmara tinham melhorado, a taxa de aprovação do presidente George W. Bush subira para a faixa dos 40% e o preço da gasolina havia baixado de forma significativa.

As más notícias para os republicanos não páram por aí: há fascínio com as intrigas palacianas reveladas no novo livro de Bob Woodward, circulam as últimas estimativas da inteligência pintando um quadro negativo da guerra do Iraque e persistem histórias sobre as gafes racistas de George Allen, o candidato do partido para o Senado pelo estado da Virgínia.

Aliás no Senado, pesquisas nos últimos dias mostram que existe uma possibilidade de reconquista do controle pela oposição democrata.

Mas os trunfos republicanos nunca devem ser submestimados. No caso da Câmara, eles são favorecidos pelo mapa distrital redesenhado nos anos 90.

Apesar de Foley, o partido tem uma mensagem mais unificada do que a dos democratas e possui mais fundos de campanha do que os adversários.

Resta esperar novembro. Enquanto isto, um novo mês está começando e na tradição política americana existem as "surpresas de outubro". Para o bem da nação e de suas famílias, que não sejam nada parecidas com as mensagens erradas de Mark Foley.

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