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Atualizado às: 28 de setembro, 2006 - 11h44 GMT (08h44 Brasília)
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60% de iraquianos aprovam ataques a tropas dos EUA
Soldado americano no Iraque
Pesquisadores notaram 'sense crescente de urgência' para retirada de tropas americanas
Seis em cada dez iraquianos aprovam os ataques contra o Exército dos Estados Unidos no país, revelou uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira por pesquisadores americanos.

Mas os iraquianos rejeitam as milícias e quase todos têm uma visão negativa da rede Al-Qaeda, mostrou o levantamento.

As conclusões, aparentemente contraditórias, parecem reforçar a idéia de que os iraquianos expressam confiança em seu próprio Exército, e desejam um governo central fortalecido para pôr fim à violência sectária.

Os dados foram compilados por um centro de pesquisas sobre políticas públicas e a Universidade de Maryland, depois de ouvir 1.150 iraquianos de todas as províncias do país, entre os dias 1º e 4 de setembro.

Etnias

Os resultados refletem a estratificação étnica do país, dividido entre sunitas, xiitas e curdos.

Os ataques contra os Estados Unidos recebem o aval de 92% dos sunitas, etnia do ex-presidente Saddam Hussein. Já 81% dos curdos, que foram perseguidos pelo antigo regime, rejeitam os ataques.

Os pesquisadores demonstraram surpresa com a aprovação dos xiitas, hoje no poder. Há nove meses, dois de cada cinco membros dessa etnia aprovavam os atentados contra as forças de ocupação – hoje, são três em cada cinco.

E a divisão étnica se reflete também na aprovação do governo do presidente Nouri al-Maliki, aliado do governo americano.

Maliki está "fazendo um bom governo" para 63% dos iraquianos. Mas sua legitimidade não é unânime.

Para 86% dos sunitas, ele não é "um representante legítimo do povo iraquiano". No entanto, Maliki recebeu amplo aval de xiitas e curdos (82% e 76%, respectivamente, consideram o presidente legítimo).

Governo forte

O sentimento anti-americano não significa aprovação às milícias que fizeram o país mergulhar em uma onda de violência sectária.

Um governo forte que acabe com as milícias é o desejo de 77% dos iraquianos, revelou a pesquisa.

Além disso, quase todos os iraquianos (94%) disseram ter uma visão negativa da rede Al-Qaeda, sendo que 82% disseram ter uma visão "muito negativa" da organização extremista de Osama Bin Laden.

"Pode parecer fácil assumir que à medida que os iraquianos apóiam mais os ataques contra os Estados Unidos eles sejam mais receptivos à Al-Qaeda – provável fonte de um número significante de ataques às forças americanas", disse o relatório.

"No entanto, este não parece ser o caso. A Al-Qaeda é fortemente impopular entre os iraquianos."

Retirada

Os pesquisadores notaram "um senso crescente de urgência para a retirada das tropas americanas" entre os iraquianos.

Sete em cada dez entrevistados disseram que os Estados Unidos devem deixar o país em um ano.

Há nove meses, a mesma proporção estava disposta a conceder aos soldados americanos dois anos adicionais de presença no país.

A desconfiança nas tropas dos Estados Unidos é compartilhada por nada menos que 84% dos iraquianos.

 Talvez a presença das forças americanas, um lembrete onipresente de que o governo não exerce soberania plena, seja percebida como fator a minar a autoridade e a legitimidade do governo.

Apenas uma parte dos curdos (55% deles) disse confiar nos soldados americanos. Mas 98% dos sunitas e 91% dos xiitas disseram que a confiança nas forças de ocupação é pouca ou nenhuma.

De cada quatro iraquianos, dois confiam que a saída das tropas americanas fortaleceria o Exército do país, um acredita que a retirada enfraquece a força local, e um crê que a retirada não teria influência sobre as Forças Armadas nacionais.

"Talvez a presença das forças americanas, um lembrete onipresente de que o governo não exerce soberania plena, seja percebida como fator a minar a autoridade e a legitimidade do governo", afirmaram os pesquisadores.

Iraque
Leia notícias sobre a ocupação dos EUA e a transição no país.
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