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China quer evitar atritos com Brasil na OMC | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro do comércio exterior da China, Bo Xilai, pediu que governos e empresários do Brasil e da China se esforcem para resolver disputas comerciais pela via do entendimento, evitando atritos na Organização Mundial do Comércio (OMC). A recomendação foi feita durante um encontro paralelo ao Fórum para a Cooperação Econômica e Comercial entre a China e a os Paises de Língua Portuguesa, que ocorreu neste fim de semana em Macau. Entre as empresas brasileiras que atualmente se dizem prejudicadas pela competição chinesa e consideram ingressar com pedidos de salvaguardas na OMC estão produtores de armação de óculos, peças de bicicleta, escovas, calçados e máquinas. Os acordos defendidos pelo ministro chinês seguem o modelo de dois outros fechados neste ano. Em fevereiro, o Brasil assinou um acordo oficial no qual a China se comprometia a auto-limitar suas exportações têxteis. Em agosto, associações da iniciativa privada dos dois países assinaram compromisso semelhante para o setor de brinquedos. Diálogo Segundo integrantes da delegação brasileira que participaram do encontro, Bo Xilai teria elogiado o sistema de consultas e coordenação bilaterais, instituído em fevereiro deste ano durante a assinatura de um memorando de entendimento assinado pelos dois países. Utilizando esse mecanismo, os empresários conseguiram negociar com a China acordos para reduzir os prejuízos causados pela concorrência chinesa. Através da troca de informações, estatísticas e metodologias, um grupo de coordenação bilateral elabora listas de produtos considerados de impacto negativo para a indústria doméstica. A partir das conclusões dos estudos desse grupo, a China pode concordar em restringir voluntariamente exportações ao Brasil. Bo Xilai teria sugerido que essa ferramenta é a melhor para conduzir desavenças comerciais.
Parceria O secretário-executivo do ministério da Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho, que liderou a missão, ressaltou que a China é atualmente o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, e por isso o caminho do diálogo é sempre o mais favorável. "Nós temos uma expectativa otimista de que neste ano de 2006 o comércio entre Brasil e China possa já se aproximar da faixa de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 45 bilhões)", disse ele. Em 2005, as trocas comerciais entre os dois países somaram US$ 12 bilhões (cerca de R$ 26 bilhões). "Quem tiver o cuidado de examinar a pauta de importações da China, vai verificar que é muito grande o número de produtos industriais que ela compra de outros países. E são produtos que o Brasil exporta, mas ainda não para a China", afirmou o secretário-executivo. Fórum Em Macau, os países de língua portuguesa (Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste) assinaram o Plano de Ação para a Cooperação Econômica e Comercial com a China, que prevê medidas para duplicar o volume das trocas comerciais entre chineses e os países lusófonos até 2009. A meta é chegar a um volume anual de trocas comerciais equivalente a US$ 45 bilhões ou US$ 50 bilhões (mais de R$ 100 bilhões) nos próximos três anos. Isso significa duplicar o nível total de exportações e importações entre essas nações. O plano prevê o incentivo a mecanismos de consultas mútuas através das câmaras de comércio e ministérios, e também o estímulo a acordos bilaterais e cooperação tecnológica e financeira para áreas de agricultura, indústria pesqueira, infra-estrutura, comércio, investimento e exploração de recursos naturais. "Acredito que o resultado deste fórum vai ser positivo, pois o comércio entre os países participantes já duplicou desde o primeiro encontro há três anos", explicou a Rita Botelho do Santos, diretora do Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum. Comércio lusófono
O total das interações comerciais entre Brasil e todos os outros países de língua portuguesa em 2005 foi de US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 4 bilhões), podendo chegar a US$ 3 bilhões (R$ 6,6 bilhões) neste ano. Além disso, o secretário-executivo Ivan Ramalho lembrou que os investimentos mútuos entre Brasil e Portugal são altos, e que os dois países têm forte tradição de parceria na área empresarial. Mas ele lembrou que o comércio bilateral ainda é da ordem de 1% nos dois lados, e que os negociadores têm se esforçado no sentido de ampliar essa fatia de participação. Os ministros do sete países lusófonos mais a China devem se encontrar novamente em 2009, na terceira edição da Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Econômica e Comercial, que ocorrerá também em Macau. |
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