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"Mundo caminha para reversão da geografia comercial", diz Lula | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a reunião do G20, realizada no fim de semana no Rio de Janeiro com a presença de representantes dos países desenvolvidos, e a reunião de cúpula em Brasília, nesta quarta-feira, entre Brasil, Índia e África do Sul, são uma “demonstração de que o mundo está caminhando com força para a reversão da geografia comercial”. “Uma geografia que distribua a riqueza que nós conseguimos comercializar e que dê oportunidade aos países mais pobres de colocar seus produtos agrícolas nos mercados dos países desenvolvidos”, afirmou o presidente a jornalistas no Itamaraty, depois de se despedir do presidente sul-africano, Thabo Mbeki. Ele também criticou os subsídios que os países desenvolvidos concedem aos seus produtores agrícolas e destacou que Brasil, Índia e África do Sul estão juntos na busca de um acordo favorável na Rodada de Doha. “Quanto mais nós trabalharmos, mais chances teremos de ter a Rodada de Doha para os países pobres”, afirmou. Política sul-sul Lula classificou como “um sucesso” a reunião de cúpula do G3 ou Ibas (Índia, Brasil e África do Sul), que além de Lula e Mbeki teve a participação do primeiro-ministro indiano, Monmohan Singh. O encontro reforça a política sul-sul que o presidente Lula destacou logo no início do governo. Num discurso a empresários dos três países, Lula disse que para estabelecer esta política, teve que lutar contra “vozes que consideram nossa diplomacia comercial como terceiro-mundista. Vozes que parecem ser contrárias ao adensamento das relações sul-sul”. No encerramento da reunião, Lula disse que em seu governo fez mais do que foi feito nos últimos 50 anos, porque o país estava habituado a uma relação sul-norte e vivia de costas para países como Índia e África do Sul. “Se tivéssemos feito isso antes possivelmente teríamos crescido mais do que crescemos. Mas nunca é tarde para reparar os erros”, afirmou. Comércio trilateral Lula lembrou que os três países representam as maiores democracias em cada continente e que juntos representam uma população de 1,25 bilhão de pessoas. O presidente sul-africano disse que o número de empresas presentes ao encontro mostra que existe uma visão conjunta de se trabalhar para mudar para melhor a vida da população dos três países. “A coordenação pode acelerar nosso programa de combate à pobreza. Espero que a vontade seja traduzida em ações reais”, afirmou Mbeki. O primeiro-ministro indiano disse que os três países precisam perseguir a meta de US$ 10 bilhões de comércio trilateral estabelecida em 2004 para 2007. No ano passado, o volume foi de US$ 6,5 bilhões. Mas Singh disse que, para que seja concretizada, é preciso que os três países se esforcem para reduzir a falta de conexões entre eles. Acordos de cooperação Num comunicado conjunto, os três países se comprometem a ser o ponto de referência dos outros dois em cada um dos continentes, e assinaram acordos de cooperação nas áreas de energia, reforço de rotas marítimas e aéreas. Haverá uma força-tarefa para cooperação no setor de biocombustíveis. A Índia está particularmente interessada na tecnologia desenvolvida pelo Brasil para a produção de biodiesel com óleo de mamona. No campo nuclear, a Índia conseguiu a aprovação do Ibas ao seu desejo de buscar formas de fazer acordos de cooperação nuclear para uso pacífico, mesmo sem participar do Tratado de Não-Proliferação Nuclear. O documento diz que os três países “reiteraram a importância de assegurar que quaisquer decisões multilaterais relativas ao ciclo da energia nuclear não prejudiquem o direito inalienável dos Estados de buscar energia nuclear para finalidades pacíficas em conformidade com suas obrigações jurídicas internacionais”. |
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