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Atualizado às: 13 de setembro, 2006 - 07h45 GMT (04h45 Brasília)
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Aliança com Índia prejudica Brasil na ONU, dizem analistas

Manmohan Singh e Luiz Inácio Lula da Silva
Singh visitou Lula na terça, antes do Fórum do Ibas
A aproximação entre Brasil e Índia dentro do Fórum de Diálogo do Ibas (que reúne os dois países e a África do Sul) prejudicou as intenções brasileiras de ingressar como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

Ao formar uma aliança com a Índia na questão da ONU, o Brasil ganhou a oposição de Paquistão e China nas discussões de reforma do Conselho de Segurança.

"Sob o ponto de vista da reforma da ONU, que foi um dos motivos para a criação do Fórum, o Ibas fez pouco sentido, pois se transformou em um 'abraço de afogados'", avalia o professor Marco Aurélio Cepik, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que estuda as relações de segurança entre os países do Ibas.

"Acabamos nos aliando com os inimigos dos nossos amigos, o que prejudicou a nossa relação com a China, com quem temos uma importante parceria estratégica no campo espacial."

Brasil e Índia também fazem parte do G4, grupo que pleiteia o ingresso dos dois países, além da Alemanha e do Japão, no Conselho.

Fórum do Ibas

Brasil, Índia e África do Sul formaram o Fórum de Diálogo Ibas em junho de 2003. O objetivo da união, segundo a Declaração de Brasília assinada naquele ano, é examinar temas da agenda internacional com uma visão de cooperação Sul-Sul (que defende a união de países em desenvolvimento em torno de interesses comuns).

Nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontra com os chefes dos governos sul-africano, Thabo Mbeki, e indiano, Manmohan Singh, no primeira reunião de cúpula do Fórum.

 O Ibas e o G20 (grupo de países em desenvolvimento que negociam a questão agrícola na Organização Mundial do Comércio) são o auge do conceito de cooperação Sul-Sul
Amâncio Jorge de Oliveira, cientista político

O bloco, segundo os especialistas, é mais importante como união política do que econômica.

“O Ibas e o G20 (grupo de países em desenvolvimento que negociam a questão agrícola na Organização Mundial do Comércio) são o auge do conceito de cooperação Sul-Sul”, afirma o professor do departamento de Ciência Política da USP Amâncio Jorge de Oliveira.

Segundo ele, apesar da aproximação recente entre Brasil e Índia através do Ibas, os dois países têm votado de forma oposta em diferentes foros multilaterais, sobretudo na Assembléia Geral da ONU.

“Ainda falta convergência entre Brasil e Índia em diversas questões, sobretudo sobre segurança. Já entre África do Sul e Brasil, há grande afinidade nas votações em foros”, afirma Oliveira.

De acordo com Cepik, da UFRGS, isso acontece porque Brasil e África do Sul são potências médias, enquanto a Índia dialoga “um nível acima” com as grandes potências.

Efeito positivo

Apesar das diferenças, os especialistas afirmam que há efeitos positivos da aliança entre Brasil, Índia e África do Sul.

Segundo Cepik, a aproximação dos países tem efeitos positivos nas negociações comerciais.

“A defesa de interesses comuns entre países grandes, sobretudo em negociações comerciais, mostra que Brasil, Índia e África do Sul não são um bando qualquer de protecionistas. A união mostra que a posição comercial dos países é forte e legítima”, diz ele.

Na reunião desta quarta-feira, o Fórum do Ibas pretende inaugurar um grupo de trabalho para elaborar um acordo de livre comércio entre a Índia, o Mercosul e a União Aduaneira da África Austral (Sacu, na sigla em inglês). O Mercosul já tem acordos bilaterais assinados com a Índia e com a Sacu. A implementação ainda depende de aprovação nos congressos brasileiro e argentino.

“O Ibas é um caso em que a diplomacia tenta induzir uma relação comercial, e não o contrário. Isso pode produzir resultados bons na sociedade”, afirma Oliveira.

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