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Historiadora gaúcha explica por que votará nulo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A historiadora Sandra Jatahy Pesavento, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, pretende votar nulo pela primeira vez nas eleições de 1º de outubro. Sandra se encaixa no perfil do eleitor típico que pretende votar nulo ou em branco nestas eleições, de acordo com a pesquisa de intenção de votos à Presidência realizada no fim de agosto pelo instituto Datafolha. Segundo a pesquisa, esse eleitorado típico é composto em sua maioria por mulheres, moradoras de capitais da região Sul, com idade entre 25 e 59 anos, renda mensal acima de R$ 1.051 e escolaridade alta (entre colegial completo e pós-graduação). Leia a seguir o depoimento de Sandra no qual ela explica suas motivações para anular o voto:
"A opção por anular o voto foi um processo que foi amadurecendo com o desgaste deste processo político nacional e a desilusão também. Todo mundo pode ter limite para dizer não tenho mais nada que ver com isso. Acho que é a única opção que resta, porque dizer que vamos escolher aquele que não é tão ruim quanto os outros é muito duro, não é? Creio que se houver um número muito expressivo de votos nulos será um sinal, sem dúvida, para a classe política e para o país de que alguma coisa anda errada. A decisão de votar nulo é uma conseqüência não só dos escândalos de corrupção do governo, mas é um pouco mais antiga. Vem num crescendo com o desgaste da atuação política brasileira.
Como professora, trabalho com os jovens. O que é triste é que precocemente eles estão desiludidos com o processo político, com o esvaziamento do partidarismo no Brasil e com a questão tão velha das promessas que não são cumpridas... Votar nulo não é uma opção de acomodados. Pelo contrário, é uma opção muito radical, de impacto, uma opção válida. Acomodada será aceitar qualquer coisa, aceitar aquele que seja um pouquinho melhor do que os outros, que são tão ruins. Isso sim é se acomodar a um sistema. Gostaria que aparecessem novos partidos, que a palavra tivesse valor, que houvesse uma alteração de conduta, que tivesse sentido no país uma coisa que se chama ética, seriedade na condução da coisa pública, mas será que isso é sonhar demais?
Eu já votei no Lula, mas me decepcionei, não voto mais no Lula, não voto mais no PT e em ninguém que está aí se candidatando a presidente da República. Nenhum. Não tem sentido para mim, não tem proposta, não tem mais partido. Fico triste de ver o ponto em que chegaram os tais representantes do povo, deputados e senadores. Quero distância. Evidente que se esta é a primeira vez que eu voto nulo, teria muita vontade de que fosse a última, mas é difícil acreditar que minha esperança venha se concretizar. Gostaria muito que as coisas mudassem, mas não vejo muita luz no fim do túnel. De vez em quando me apavora pensar que no fim do túnel tem outro túnel." |
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