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Professora carioca explica por que vota em Heloísa Helena | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A professora Denise Brasil, de 39 anos, doutorada pela Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), é a eleitora típica da senadora Heloísa Helena (PSOL) à Presidência, de acordo com a pesquisa de intenção de votos realizada no fim de agosto pelo instituto Datafolha. De acordo com a pesquisa, o eleitorado típico de Heloísa Helena é formado por mulheres, entre 16 e 44 anos, moradoras de alguma capital das regiões Sudeste ou Sul, com renda mensal entre R$ 701 e R$ 7.000 e escolaridade alta (entre colegial completo e pós-graduação). Leia a seguir o depoimento de Denise no qual ela explica as razões de sua decisão de votar em Heloísa Helena:
"Fiz uma opção de voto na Heloísa Helena e no partido dela, o PSOL, porque eu acho que é um partido que tem como proposta uma reversão de prioridades dessa política de acúmulo de capital, de juros, que hoje está comandando o Brasil, para prioridades reais da população, que são educação pública e saúde pública de qualidade. Que é uma política de moradia que tenha responsabilidade com o planejamento urbano e com a questão ecológica. Enfim, uma política que traga uma melhoria de vida para a população que não seja pela via de bolsa isso, bolsa aquilo, de políticas de auxílio que mais remendam a pobreza e a miséria do que solucionam realmente as questões. Eu me filiei ao Partido dos Trabalhadores com 20 para 21 anos, e havia uma grande aproximação das propostas do PT com os movimentos sociais, particularmente com os movimentos sindicais. Então foi uma identificação mais ou menos natural. Militei durante 17 anos no PT, mas no entanto o PT, passado o tempo, principalmente com a chegada à Presidência da República, ao governo, abandonou muito do seu programa, que era um programa de prioridade para as questões dos trabalhadores, da população mais excluída, e não para o enriquecimento dos banqueiros.
Acho que houve um esgotamento do PT como ferramenta de luta da classe trabalhadora. E acho que é importante, sobretudo numa sociedade como a brasileira, ter um partido que defenda os interesses dos trabalhadores. Porque para defender os interesses do poder econômico, das grandes corporações ou do sistema financeiro internacional, já tem gente demais. Nós, trabalhadores da educação, sustentamos as campanhas do Lula desde 1989. As campanhas estavam baseadas principalmente no apoio dos professores e dos bancários. Para esses setores, a reforma da Previdência foi um golpe muito duro. Acho que a questão econômica me afeta, porque sou trabalhadora, e quando você tem uma política de juros tão grandes no país em que tudo é mais caro e o salário fica congelado, são contas que não fecham nunca. Vejo isso também com outros trabalhadores da iniciativa privada que ficam desempregados de uma hora para a outra e são obrigados a recorrer a esses empréstimos com juros muito altos patrocinados pelo Estado brasileiro e que só enriquecem os banqueiros.
Por outro lado existe uma construção no imaginário de que o Brasil é um sucesso econômico. Apesar de viver neste problema, com o cinto apertado, desesperado para conseguir pagar tudo e dar conta dos impostos que sobem todos os dias, sendo que seu salário não sobe – o meu, aliás, está congelado há cinco anos –, há uma enorme propaganda da diminuição do risco Brasil, quando sabemos que o risco foi artificialmente elevado na época da eleição presidencial e agora está caindo para níveis normais. Espero que o Brasil comece a transformar um pouco alguns modelos da política e da vida econômica, para garantir no futuro que essa geração que está chegando tenha um Brasil melhor, de mais emprego, de mais renda, mais justiça social. Que nós possamos viver com mais tranqüilidade, sem o medo da violência que é gerada pela miséria e pela péssima distribuição de renda no Brasil." |
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